A cronologia tática da “Era Kleina” no Palmeiras

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O ciclo acabou: após altos e baixos, Gilson Kleina, o técnico que caiu e levantou o Palmeiras da segunda divisão, sai do time alviverde com muitas críticas da torcida (algunas injustas) e um trabalho que, apesar de nenhum título de expressão, teve saldo positivo na reconstrução do time centenário.

O bom trabalho na Ponte Preta chamou a atenção de Arnaldo Tirone, que após a recusa de Falcão, chamou o ex-Ponte Preta no dia 19 de setembro de 2012. Missão: fugir da Série B em 11 jogos.

Assim que chegou, Kleina sabia que era preciso mudar e colocou Henrique de volante, soltou Araújo e Assunção e resgatou Maikon Leite pelos lados: o 4-3-1-2 foi bem contra Figueira, Ponte Preta e Millonarios, onde Daniel Carvalho mostrou serviço. Parecia que a reação começava.

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Mas os 3×0 para o São Paulo foi o divisor de águas: Kleina confiou em Daniel e Valdívia num 4-3-2-1, mas o time perdeu presença ofensiva e foi dominado pelo Tricolor. Valdívia se machucou, brigou com Assunção e só piorou o clima. O desafio era maior do que Kleina imaginara.

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Com a confiança abalada, o técnico teve que administrar lesões e nervosisimo, e o 4-2-3-1 que perdurou mesclou momentos de força (os 2×0 no Cruzeiro) e derrotas em casa (o 1×0 do Coxa). Contra o Fla, Bruno falhou e Vágner Love fez o gol que transformou o pesadelo em realidade: pela segunda vez, o Palmeiras dava vexame e estava rebaixado para a segunda divisão.

O eleito Paulo Nobre tinha a missão de reconstruir e confiou em GIlson. 2013 começou cheio de incertezas e com apenas 2 reforços: Prass e Ayrton. Em alguns jogos, faltava gente no banco – apenas 18 jogadores compunham o elenco alviverde. Por isso o torcedor, movido pela paixão, não entendeu quando Barcos foi vendido: era preciso ter mais jogadores no elenco.

No Paulista, a melhor partida foi contra o Corinthians: se a imprensa ressaltava a diferença histórica entre o rebaixado Palmeiras e o campeão do mundo Corinthians, Kleina acertou ao abdicar de uma referência e sufocar o time de Tite num 4-2-4-0: Wesley e Souza chegavam e Vinícius e Patrick marcavam pelos lados. Sufoco, muitas chances perdidas e orgulho resgatado no 2×2.

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Após mudanças de esquema (entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1) e muitos empates, o pior veio no dia 27 de março, nos 6×2 para o Mirassol. Nobre segurou Kleina, que pode solidificar o 4-3-1-2 no Paulistão para aproveitar Wesley e Souza, ora meias, ora volantes. A campanha decente terminou nos pênaltis para o Santos, onde Kleina mudou o sistema: foi de 4-4-2 em duas linhas para marcar individualmente Neymar.

Na Libertadores, campanha mais segura que o badalado São Paulo. Como Brunoro pedia, era outro time: sem os ex-gremistas, Kleina montou um 4-2-3-1 com Charles saindo, Wesley e Tiago Real invertendo pela direita e muita marcação no meio. No Pacaembu lotado, o time tinha força. Fora de casa, problemas – deplorável a agressão de “torcedores” organizados na Argentina.

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Se o Palmeiras deu um nó no Tijuana no México, com direito a penal não marcado em Wesley, a falha histórica de Bruno na volta fez o time ficar muito nervoso e desmontou os planos na eliminação, que nunca foi vexatória pelo momento vivido.

Sim, o torcedor pode não gostar, mas o Palmeiras jamais teve como objetivo o título da Libertadores. A grande meta era mesmo subir de divisão. A diretoria se mexeu: trouxe Alan Kardec (curioso como muitos palmeirenses “cornetaram” o ex-santista, encostado no Benfica B na época) e Kleina remontou: o 4-3-1-2 tinha Wesley pela esquerda, mas com muita liberdade para encostar em Valdívia e Juninho. Kardec e Leandro voltavam pelos lados para poupar o camisa 10, Charles prendia e Luís Felipe apoiava menos que Juninho.

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Campanha que começou com a Chapecoense surpreendendo, teve uma sequência de viradas no Pacaembu e terminou com o Palmeiras seguro na liderança. Lesões fizeram Kleina retornar ao 4-2-3-1 com 2 homens rápidos pelos lados (Vinícius e Serginho), no momento de maior queda do time.

A negociação de Vílson e a falta de Valdívia mexeu com o time na Copa do Brasil: Mendieta entrou mal na vaga do Mago e o Palmeiras foi eliminado pelo Atlético-PR. A corneta palestrina voltou a soar, mas qual é o grande problema de um time em reconstrução ser eliminado pela grande sensação no país em 2013?

Com a Série B já terminando, as críticas aumentavam: na estréia da camisa amarela, muitas vaias (injustificáveis) no 0x0 com o São Caetano, jogo do acesso, e merecidos aplausos nos 3×0 com o Boa, jogo do título. O foco passou a ser Gilson Kleina: fica ou não fica? Para uns, renovar seria copiar o erro de Jair Picerni em 2004. Para outros, a sequência era a melhor opção. Após o caro Bielsa dizer não, Gilson Kleina era confirmado como técnico do centenário no dia após o natal de 2013.

O ano do centenário começou bem: reforços como Lúcio, Marquinhos Gabriel, França, Diogo, Rodolfo e Bruno César. Leandro renovou e Kleina pôde dar sequência ao 4-2-3-1 do final da Série B: Alan Kardec voltando pelos lados ou com algum volante para poupar Valdívia, Weley e Juninho comandando a saída de bola e Leandro infiltrando com Mazinho mais preso do outro lado.

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Os 2×0 no São Paulo foi a confirmação do bom planejamento (que nunca escondeu a falta de reposição para Kardec e as poucas opções na lateral direita). Com a queda de Mazinho, Kleina teve que alterar a dinâmica do 4-2-3-1: deixou o time mais ofensivo com Marquinhos, Patrick e Bruno César, que demorou a entrar em forma.

Quando o time não traduzia as chances em gol, Kleina tinha uma carta na manga: Mendieta e Diogo. O paraguaio, que nunca justificou uma chance nos 11 iniciais, entrava bem e alterava o sistema para um 4-1-4-1 que sufocava o adversário e empatava (ou virava). Assim foi na sequência invicta que terminou nos 3×1 contra o Botafogo-RP.

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Os problemas começaram na lesão de Wesley, peça fundamental do time. França, mesmo aprimorado nos treinos, não rendeu como volante de saída. As lesões começaram a aparecer…e estouraram justamente no jogo mais importante do ano, contra o Ituano.

Alan Kardec saiu aos 20, Vinícius entrou. O time perdeu a referência. Juninho e Bruno César sentiram, abrindo um buraco na esquerda. Sem lateral, Tiago Alves foi improvisado, e exigido no ataque, errou tudo (natural, já que é zagueiro). Reveja o gol do Ituano: Juninho, contundido, não volta e dá campo para o adversário. Qual é a culpa de Kleina nesse efeito-dominó de lesão e falta de jogador?

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Elenco sem confiança e pressão: foi o “efeito-Ituano”. A polêmica saída de Alan Kardec oficializou o divórcio do restante da torcida com a diretoria e irritou o técnico, que não recebera o lateral direito que pediu e agora via seu time ficar enfraquecido.

Kleina indicou Borges e Walter e não foi correspondido. Contra o Flu, testou o mais lógico: sem centroavante, um 4-3-1-2 com Valdívia de “falso-nove”. Contra Fla e Sampaio Correia, retornou ao 4-2-3-1 com um homem de referência (Henrique), mas as falhas defensivas e o nervosismo já eram evidentes.

No dia 8 de maio, a constatação: o efeito do técnico no elenco já não era mais o mesmo. Natural que a solução fosse a saída de Kleina, 14º técnico que mais treinou o time com 105 jogos: 56 vitórias, 20 empates e 29 derrotas. Aproveitamento de 59,7% e um título, a famigerada Série B de 2013.

O torcedor palmeirense tem o direito de criticar Kleina pelos mata-mata ruins e contratações como Felipe Menezes e Josimar. Mas também deve reconhecer acertos em momentos cruciais, exalter a recuperação de Valdívia e a Série B, que jamais foi fácil. Colocar toda a culpa no técnico é, no mínimo, burrice.

Uma coisa é certa: Kleina é só mais um que paga o preço do turbilhão que é administrar a pressão que o Palmeiras (e sua torcida) faz sobre si próprio. São 100 anos de lutas e glórias, mas também do Palmeiras perdendo para si próprio.

Campinhos táticos do @TacticalPad

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