O que faltou para David Moyes no United?

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Leia o especial sobre a carreira de Alex Ferguson: http://globoesporte.globo.com/futebol/painel-tatico/platb/2013/05/10/especial-ferguson/

Exatamente um ano depois de Alex Ferguson conquistar o 20º campeonato inglês e passar o Liverpool como o maior vencedor na terra da Rainha, seu sucessor, David Moyes, é demitido pelo desempenho desastroso em campo que rendeu até protestos em helicóptero. O que deu de tão errado em apenas 1 ano, com praticamente o mesmo plantel?

Investigando as características de Moyes, pouco ou nada. Também escocês, adepto da forte transição ofensiva e do 4-4-2 britânico – e suas variáveis, como o 4-2-3-1 que Fergie inventou – Moyes foi contratado justamente por ter filosofia semelhante a de Alex e gostar do trabalho com jovens e da manutenção de uma base por muitos anos em um clube (o Everton).

Não a toa o primeiro esboço de time, nos amistosos na China, foi no mais típico 4-4-2 inglês, com Giggs centralizando para os passes (como fazia com Fergie), Valencia fazendo o corredor e muita movimentação da dupla Welbeck e Van Persie.

Nos jogos seguintes, o principal problema do United de Moyes ficaria escancarado: a falta de ideias. Sem jogadas combinadas pelos flancos, o “Chosen One” tentou Giggs na direita e confiou em Welbeck no clássico contra o Liverpool, onde novamente, o time teve volume de jogo, mas ficou nervoso e apático.

Se o primeiro teste forte de Moyes foi decepcionante, os jogos seguintes dariam mostra de como o United caminhava. A derrota para o City, junto com a lesão de Van Persie, abalaram o clima em Old Trafford, que já via apenas uma contratação na janela: Marouane Fellaini, homem de confiança de Moyes e que chegou dizendo que queria ser o novo “Roy Keane”.

O técnico não exitou em escalá-lo na segunda linha, primeiro com Carrick (e marcação muito froxa nos 4×1 do City), depois com Giggs no 4-2-3-1 que perdeu para o Everton, ex-time de Moyes que cresceu com Roberto Martínez, e fez parte de mais um dos tabus e recordes negativos de David: West Bromwich venceu em Old Trafford após 35 anos, Everton venceu em Old Trafford após 21 anos, Newcastle venceu em Old Trafford após 41 anos, Swansea ganhou do United pela primeira vez e Stoke encerrou um jejum de 20 anos.

Já nessa altura, estava claro que Moyes teria mais problemas do que o imaginado. Entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1, o técnico não se decidia entre Valencia, Januzaj, Ashley Young ou Welbeck para compor os homens de beiradas que, teoricamente, dariam velocidade, mas chegavam e cruzavam na esperança de algum jogador resolver logo.

Taticamente, o United sempre agrupou as linhas e diminuiu espaços, mas a queda individual de jogadores-chave, como Carrick e Ferdinand minou a defesa. O time levava o gol, e diante do nervosismo, começava a cruzar e cruzar. Kagawa, solução para criatividade, aparecia bem, mas não tinha sequência, assim como Januzaj, testado entre meia criativo e winger.

Em clássicos, o time acumulava fracassos: Chelsea, Liverpool, City, Tottenham…e o desempenho em Old Trafford, impenetrável antes, começou a minar o apoio da Moyes. Já em 2014 o técnico não era unanimidade e a sétima posição na Premier parecia aceita.

Com a chegada de Mata, esperava-se que ele seria titular de cara. Mas novamente Moyes mudou o time, escalava o camisa 8 e depois tirava. No pior jogo sob seu comando, os 2×0 para o Olympiacos, as opções mais marcadores nos lados do 4-4-1-1 deram errado e isolaram Rooney e Van Persie, o “casal 20” que foi aquém.

Mesmo que os 3×0 no jogo de volta dessem a classificação, a falta de ideias e a sequência inexistente no time eram fatores a serem observados. O grande problema da rotação era que, ao contrário do antecessor, Moyes mudava a característica do jogo a cada mudança, mas o time não assimilava e abusava dos cruzamentos.

O 4-4-1-1 que perdeu para o Liverpool e o “estranho” losango no meio sacrificou Mata e Januzaj para um 4-2-3-1 mais direto nos 3×0 no Olympiacos, com Welbeck agudo pela esquerda junto a Rooney e Valencia. Para o jogo contra o City, na sequência, Moyes mudou de novo e resgatou Fellaini e Mata num 4-1-4-1 com Rooney na referência que foi mal contra o City, mas segurou o ímpeto do Bayern em Old Trafford, já com Welbeck e Valencia.

Os 3×1 do Bayern e a eliminação foram menos sentidos que a derrota para o Everton, no domingo. Não o resultado que oficialmente tirou qualquer chance de classificação para a Champions, mas sim a apatia de um time que, no 4-2-3-1, não se impôs nem criou.

Antes de tudo, é dever reconhecer que qualquer técnico, de Guardiola a Moyes, teria muitos problemas no United. Os resultados ruins são normais, o desempenho não. Levando em conta que o envelhecido elenco do United pede renovação, Moyes também foi vítima do momento.

Mas teve sua contribuição: 51 jogos, 51 formações diferentes. É clichê, mas até na Inglaterra, se o jogador não tem sequência, seu desempenho cai e o entrosamento do time despenca. Coisas básicas como a força do passe para dar ao companheiro passam a ficar difíceis – quem é o companheiro? Por isso tantas bolas aéreas, solução mais fácil quando o jogo não funciona.

Também pesou a dispensa dos auxiliares de Fergie – que tinham bastante contato com o plantel – e a contratação do staff de Moyes, como Steve Round e Jimmy Lumsden. Nem a chegada de Phill Neville trouxe o respeito que o técnico precisava para suas ordens serem ouvidas e cumpridas. Difícil respeitar o chefe quando se discorda das decisões dele.

É resgatar o respeito a missão do interino Giggs, já que a temporada dos Red Devils esteja no ralo. O próximo técnico enfrentará os mesmos desafios do “Ex-Chosen One”, e mais do que estilo de jogo, terá que ganhar o vestiário. Tarefa que deve demorar uns anos e pode acontecer com Carlos Queiróz, que já conhece o clube, ou quem sabe Mourinho?

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