O choque de propostas no jogo 1000 de Arsène Wenger

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Por muito tempo, o Arsenal foi a centelha de arte numa Inglaterra marcada pelo “kick and run” do 4-4-2 rígido de bola aérea. Pioneiro no 4-2-3-1, Wenger nunca abdicou da proposta ofensiva: passe curto, velocidade, diagonal e cruzamento. O melhor dessa filosofia saiu com Pires, Bergkamp e Ljunberg atrás de Henry na invicta Premier de 03/04. Time “ofensivo”, diria o julgamento popular.

No vexame histórico em seu jogo 1000, é dever reconhecer sua importância em mudar o futebol na terra da rainha, que com Benitéz no Liverpool, Mourinho no Chelsea e posteriormente Hiddick, Pellegrini e Rodgers, ganhou toque mais “agradável” e ganhou seguidores, canais de TV e a admiração de muita gente.

Mas os tempos mudaram. O Arsenal vem pagando o preço de manter a filosofia no jejum de 10 anos e alguns vexames como os 8×2 do United e os 6×0 do Chelsea que marcam o reinado de uma nova filosofia: o “jogar em reação”.

Corinthians de Tite, Bayern de Heynckes, Atlético de Madrid de Simeone, Brasil de Felipão: times que atacam marcando, explorando a saída de bola do adversário para forçar o erro, e com intensidade e movimentação, pegar a defesa desguarnecida e fazer gols. E agora o Chelsea de Mourinho, que segue “o manual” desse estilo para se fortalecer ainda mais na liderança da Premier League.

Falando de desenho, o esquema de Mou desde a Inter de Milão não muda: é o 4-2-3-1. Já Arsène Wenger veio de 4-1-4-1, mas com Cazorla ou Rosicky auxiliando Arteta na saída de bola, quase como volantes de um 4-2-3-1.

Entender o jogo do Chelsea é ver que a marcação na saída de bola é uma forma de se afastar o adversário do gol e também de atacar. Veja o vídeo: os jogadores de azul “atacam” os de vermelho, tirando a tranqüilidade de pensar o jogo. Oscar e Eto’o nos zagueiros e a segunda linha na divisória do campo, com Luiz e Matic avançando até Arteta, Rosicky e Cazorla. Resultado? Arsenal sem saída, tendo que apelar para a bola longa do goleiro.

Quando o Chelsea retomava a posse, o caminho era apostar na intensidade do quarteto ofensivo: geralmente um volante ou lateral dava de cabeça ao meia, que explorava a linha alta da defesa do Arsenal. Observe esse movimento no primeiro gol de Oscar: bola roubada, Hazard, Schurrle, Oscar e Torres corriam ao mesmo tempo para a frente, enquanto o Arsenal corria para trás, todo desorganizado e deixando mais fácil para o jogador azul pensar o chute e o passe.

Foi assim basicamente o jogo inteiro: Arsenal iniciando a saída de bola, Chelsea roubando e explorando a linha alta. Com 3×0 em 20 minutos, o Chelsea passou a administrar o resultado girando a bola, cadenciando, deixando o Arsenal (naturalmente cansado com um a menos) se cansar ainda mais. Deu até tempo de Oscar receber no livre centro, com um leve toque tirar Arteta do lance, carregar pensando o melhor ângulo e fazer 4×0. Peça-chave do Chelsea e da Seleção Brasileira.

Um time organizado até a medula que propõe uma reflexão: estaremos vivendo na era dos times que jogam em reação, apostando tudo em roubar e atacar? Para Mourinho, sim: seu Real Madrid venceu o Barcelona assim, e ao que tudo indica, o polêmico português está esperando o Bayern para mostrar que achou o “antídoto” para o tiki-taka. De quebra, pode levar a mais disputada Premier League de todos os tempos.

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