Ituano joga como time moderno, repete 1986 e leva o Paulistão

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Em 1986, uma torcida do Palmeiras que não via títulos há 10 anos comemorava efusivamente a final do Campeonato Paulista. Mas nem os mais otimistas imaginariam que o time do técnico Carbone seria surpreendido pela Inter de Limeira, calando o Morumbi e coroando José Macia, o Pepe, que aceitou o desafio após ser campeão brasileiro no São Paulo.

28 anos depois, a história se repete. Melhor do que o Santos nos 180 minutos da final, o Ituano leva com méritos o Paulistão competitivo e com favoritos longe do interior paulista.

Ao contrário do que se falou, o Ituano não bateu no primeiro tempo: foram 11 faltas do time do interior contra 14 do Santos, que não conseguiu impor o jogo de velocidade que o trouxe para a final.

Muito porque Doriva manteve o 4-2-3-1 do Ituano marcando como o “manual” do futebol moderno manda: na saída de bola adversária, o quarteto ofensivo pressiona o jogador que tem a bola dominada. No próprio campo, Esquerdinha e Paulinho voltavam para formar duas linhas de 4, com Christian e Rafael na intermediária.

Tudo para travar o 4-2-3-1 do Santos. Geuvânio e Thiago Ribeiro, responsáveis pelos dribles pelo lado, até tiveram o apoio dos laterais e Cícero entrou na área como “elemento surpresa”, mas o time procurou Damião: natural que, com um jogador mais fixo, o cruzamento fosse mais explorado.

Só que dos 10 tentados nos 45 iniciais, apenas 3 foram certos. Mesma coisa das ligações diretas: das 30 tentativas, 12 surtiram efeito. Erros provocados pela forte marcação do Ituano, que deixavam o jogador santista sem alternativa a não ser explorar a bola pelo alto. E também pelo natural nervosismo de uma final.

Oswaldo de Oliveira viu e subiu Cicinho e Mena ao mesmo tempo, para permitir que Geuvânio e Thiago Ribeiro pudessem fazer o jogo pelas laterais. E como ressaltou na coletiva pós-jogo, liberou Cícero para ir na área. Numa jogada assim, o pênalti que aconteceu, mas em posição de impedimento que dessa vez não foi desperdiçado

No segundo tempo, a pressão santista continuou , com Arouca um pouco mais aberto pela direita, ajudando Cicinho por aquele lado. Mas o time continuava achando dificuldades para levar a bola a Cícero, e na dúvida, os zagueiros davam um lançamento para Damião: foram 55 ao todo, apenas 22 certos.

Quando tentava sair pelo chão, o Ituano conseguia roubar a bola e sair com rapidez. Sim: ficar atrás da linha da bola, marcar pressão e sair com velocidade é a tônica do futebol moderno, assim como faz o Atlético de Madri, cultuado lá fora, mas que por aqui seria chamado de retranca.

O frame mostra bem: são 4 jogadores do ltuano (Caucaia participava ativamente do trabalho ofensivo, quase um 4-1-4-1) correndo em direção ao gol e explorando as costas de Arouca e Alisson, ambos voltando. A linha defensiva do Santos está montada, mas em inferioridade numérica.

Doriva tirou os mais cansados e manteve o 4-2-3-1. Já Oswaldo de Oliveira, com a entrada de Alan Santos e a saída de Damião, redesenhou o Santos com um losango no meio, mas com Cícero bem avançado, Gabriel e Rildo procurando trabalhar nas costas dos laterais e Mena e Cicinho indo na linha de fundo. O Ituano, que se recolheu, mas continuou perigoso no contragolpe, não deixou o Santos finalizar.

Nas penalidades, a noite inesquecível do goleiro Vágner premiou a atuação essencialmente coletiva de um time que marca e ataca junto, usa sim do chutão e tem a disciplina tática tão cobrada por Doriva como destaque. Time “moderno” e que mostra: mesmo com as críticas ao futebol brasileiro, nenhum campeonato consegue ser tão competitivo como o Paulista, onde grandes são surpreendidos, pequenos chegam na final e o Ituano, assim como em 86, prova que é possível vencer.

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