Atlético de Madrid, a imposição de estilo que matou o Chelsea

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É possível criticar José Mourinho pela opção de Azpilicueta na direita do imutável 4-2-3-1 azul. A ideia pode ter sido segurar o forte flanco esquerdo dos colchoneros, com a parceria de Filipe Luís e Koke. E velocidade na transição quando algum colchonero estivesse recompondo.

Na teoria dá para entender Mou. Mas futebol é um “jogo de imposição de estilo”, como diria Sepp Herberger, o mestre de Carlos Alberto Parreira. E o Atleti de Simeone colocou seu estilo no jogo do início ao fim: marcação, jogo físico e velocidade.

O 4-4-2 que Simeone adota em seus times permaneceu. Sem Diego (ex-Santos), mas com Adrián se juntando a Diego Costa na frente e Turán e Koke nos lados, com liberdade para mexer e se juntar a Adrían. Coordenação de 4-2-3-1 no ataque, sempre com o apoio surpresa e em velocidade de algum lateral, geralmente no lado onde a bola está. E muita bola aérea.

Quem começou na frente e dominando foi o Chelsea, com a característica variação da linha de meias e 55% de posse. Na jogada do gol, William prende, Azpi infiltra (estava funcionando!) e Torres faz a entrada surpresa na área que bagunça qualquer linha. Gol londrino que parecia esfriar o clima e jogar o nervosismo no lado espanhol.

Mas aí entrou a imposição do 4-4-2 de Diego Simeone. O “Cholo” que parece extrair a máxima dedicação possível de seus comandados, em todas as fases, não desorganizou o time. As duas linhas avançaram e foram trocar passes já no campo adversário. Cruzando ou na distribuição de Tiago, hoje um exemplar “box-to-box”, o Atleti empatou explorando o erro adversário: pane defensiva, corte bisonho de Terry e empate de Adrián.

Quando o mais lógico parecia recolher as linhas e abdicar da posse para sair no contragolpe, como o time espanhol fizera tantas vezes na Liga, Simeone mandou o time para a frente, como o último terço do primeiro tempo, e procurou explorar a insegura defesa do Chelsea.

Foi quando Azpilicueta parou de funcionar acompanhando Filipe. No terceiro gol, quem cobre o flanco direito é Eto’o, que comete o penal em Diego Costa (que valorizou). Na teoria da marcação setorial, era papel de Azpilicueta, que estava com Suárez.

Com a virada, o Atlético ganhou confiança para trocar ainda mais passes e jogar a bola na área. Terminou com 12 cruzamentos (10 errados) e 389 passes trocados, mais que o Chelsea. E também mais faltas: 18. Transformou a classificação em realidade no terceiro gol.

Mourinho tentou: recolocou Azpilicueta na lateral, testou presença física com Demba Ba e o corte na diagonal de Schurrle. Difícil contruir jogo pelo chão? Solução foi o abafa com 17 cruzamentos para a área, mas 9 finalizações erradas de 14. Exatamente o número que o Atleti acertou na meta do goleiro australiano.

Continua sendo possível criticar José Mourinho pelo abafa que não deu certo “a la Cuca 2013”. Não pela ausência de Oscar, que confessou lesão e descanso para a Copa. Quanto a primeira partida….toda estratégia tem seu lado bom e ruim, na vitória e derrota. Se o Chelsea tivesse ganhado hoje, o erro de Mou seria não atacar na Espanha?

Hoje o lado bom da estratégia de sempre do Atleti resultou em 3×1. O Atlético não é “aquele time que sabe de suas limitações”: é um time que sabe de sua qualidade e a coloca dentro da proposta de obediência tática. Impõe esse estilo, 90 minutos. Sim, muitas vezes controla o jogo muito atrás e corre riscos. Mas não resta dúvidas: Diego Simeone é o Jurgen Klopp de 2014.

O 4-4-2 em linha foi inventado como um desenho para a Inglaterra de Alf Ramsey defender melhor no Mundial de 1966. Em 1970, Zagallo abrigou os “5 camisas 10” (um mito, diga-se de passagem) no Brasil fazendo com que todos se recolhessem na defesa num 4-2-3-1 e explorassem a velocidade no ataque, procurando as características mais fortes dos jogadores.

44 anos depois a final da Champions League será de dois times que jogam no 4-4-2, com todos se recolhendo e atacando com velocidade. Ano vai e ano vem, nada parece superar o desenho de Ramsey e o modelo de Zagallo. Assim pode ser no 24 de maio, quando Lisboa será Madrid.

Dados extraídos do @foostats

Campinhos táticos do @TacticalPad

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