Final da Copa São Paulo mostra execuções e propostas diferentes do 4-2-3-1 no Brasil

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Na final da Copinha, Santos e Corinthians vieram a campo no 4-2-3-1, mas com execuções bem diferentes entre si e que mostram, em partes, equívocos e acertos na hora de analisar um time brasileiro.

O Corinthians de Osmar Loss lembrava muitas vezes o Corinthians de….Tite: na marcação, todos atrás da linha da bola no campo adversário, pressionando a saída adversária. No ataque, organização procurando as tabelas entre lateral e meia pelo flanco ou o pivô de Douglas, bem participativo.

Já Pepinho armou o Santos no mesmo 4-2-3-1, mas com execução diferente, muito semelhante a maioria dos times brasileiros atualmente: na linha de meias, um homem mais participativo no meio (João Eduardo) e um mais agudo, se juntando ao centroavante nos momentos ofensivos (Diego Cardoso).

Logo que a bola rolou o Santos deixou o Corinthians tomar a iniciativa, geralmente pela direita, já que Diego Cardoso, até uns 30 minutos, não voltava tanto. O time da baixada procurava os contragolpes ao ritmo de Serginho, marcado de perto por Fabiano.

Mesmo postado no campo adversário, o Corinthians não pressionou tanto a bola (como Ayrton disse no intervalo), e o Santos conseguia sair: se não era pela velocidade, era pelo alto, na bola longa (o famoso chutão). Foi assim que saiu o gol: lançamento longo do zagueiro, o meia central “quebra” de cabeça e outros dois atacantes aproveitam a linha de impedimento em velocidade para finalizar sem marcação.

Com a tranqüilidade no placar, o Santos se recolheu para explorar os erros do Corinthians. Num deles, os meias santistas pressionaram e fizeram o volante do Corinthians errar o passe e abrir caminho para o gol de Serginho.

Aos 35, Osmar Loss pediu para o Corinthians se reorganizar no 4-1-4-1 com o avanço de Ayrton para auxiliar Zé Paulo. Simples: com Fernando sempre livre, Serginho conseguia se movimentar e sair da marcação de Fabiano. O camisa 16 passou a jogar mais a frente, sem efeito: o Santos conseguia agrupar jogadores e forçar o erro adversário.

No segundo tempo, a entrada de Bryan acuou o Santos, que passou a sofrer pressão intensa do Corinthians, ainda no 4-1-4-1 pedido por Osmar, mas variando para um esquema sem meias conforme a movimentação dos jogadores.

O Santos, mais inteiro fisicamente, conseguia puxar contragolpes que assustavam e seguiu bem nos embates individuais, sem medo de jogar a bola pra longe. Com essa proposta seguiu firme, mesmo quando a pressão adversária se intensificou e resultou no gol do camisa 30.

A grande questão que a vitória do Santos levanta é: os times da base devem privilegiar títulos ou formação de jogadores?

A resposta deve ser a formação de jogadores, mas nunca se deve esquecer que, no Brasil, torcedores e dirigentes ainda não possuem a cultura de paciência e formação. Aqui é impossível formar um “novo Barcelona”, e a explicação é bem simples: na Espanha, invariavelmente dois times vão ganhar o nacional (Real Madrid ou Barcelona). Aqui, são 12 times (os chamados “12 grandes”) que entram com a obrigação de título. A pressão por resultado é muito maior, e o resultado isso é a demissão de técnicos, brigas da torcida, “crises” e instabilidade.

Por isso o equívoco ao criticar o Santos depois dos 4×0 no Kashiwa: não existe problema nenhum em não ter posse de bola e dar chutão. O problema está em não entender o motivo disso ser feito pelo campeão da Copinha com méritos.

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