Do topo ao caos: a cronologia do rebaixamento do Fluminense

Campeão brasileiro em 2012, favorito para a Libertadores, “melhor time do Brasil”…e um ano depois, rebaixado para a Série B pela terceira vez e sua história.

O que houve com o Fluminense? Primeiro, alguns “mitos” que foram criados: o elenco nunca foi bom, mas sim tinha o time titular em ótima fase – principalmente Cavalieri. Quem lembra do sofrimento que reinou ano passado sabe disso.

E esse ano o time “pisou no freio”. Ficou lento, a fase passou.

Os 3×0 no Criciúma, em junho, logo após a eliminação para o Olimpia na Libertadores, foi o retrato típico dos piores momentos do último Flu que Abel Braga montou: pouca velocidade, espaços abundantes na defesa e muitas bolas aéreas sem sucesso.

No 4-2-3-1 que se parecia com um 4-1-4-1 com Wagner alinhando a Diguinho (ou Jean na Libertadores), Abel tentou ter superioridade nos lados e profundidade com Rhayner e Sóbis pelos lados. Mas o problema estava no meio, com Edinho e Diguinho perdidos na transição e Wagner perdido. Sobrava as ligações diretas e as bolas paradas.

Fred, Jean e Deco voltaram, mas o Flu perdeu 2 clássicos (incluindo a re-estreia de Juninho pelo Vasco) e emendou 5 derrotas seguidas até a demissão de Abel. Contra o Vasco (3×1) e Grêmio (2×0), Abel ressuscitou o 4-2-2-2, curiosamente o primeiro sistema tático no seu retorno em 2011 (leia mais aqui), mas nada adiantou com jogadores distantes e defesa falhando muito. Abel saiu na nona rodada, com 6 derrotas e 3 vitórias no nacional.

Veio Vanderlei Luxemburgo, o pedido de Celso Barros que expôs a racha na diretoria e provocou questionamentos sobre o poder da Unimed no Flu e no poder de reação do treinador, que logo resgatou o 4-3-1-2, sistema que usou na maioria dos times em seus 20 anos de carreira.

Também resgatou Felipe, promoveu JulIão e Eduardo no Fla-Flu, todas tentativas de mexer com o brio do elenco. A defesa melhorou, mas Felipe não deu o passe qualificado que faltava e o time ficava dependente das laterais e dos cruzamentos. Nos 4 jogos foram 1 vitória, 2 empates e 1 derrota.

Hora de mudar com o Flu na 16 posição: Kenedy, Ronan e William ganharam chances num misto de 3-5-2, já que Edinho ora era terceiro zagueiro, ora fechava o meio num losango. A defesa também melhorou: nenhum gol contra nos 2 jogos assim, contra Corinthians (0x0) e Náutico (1×0).

O final de turno para o Fluminense e Luxemburgo seria trágico: apenas uma posição acima do Z-4, eliminação na Copa do Brasil e derrotas para São Paulo e Santos, na última a confirmação de que Fred, artilheiro da equipe, ficaria o resto de 2013 fora por lesão.

Luxa quase foi demitido. Bancado, resolveu mudar o time para suprir a ausência de Fred e aproveitar o melhor dos jovens de Xerém, a velocidade. No 4-2-3-1 que colecionou 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota, Rhayner e Rafinha imprimiam a correria pelos lados para Wagner se aproximar de Sóbis, dessa vez centralizado.

Contra o Goiás (2×1), o melhor Flu de Luxemburgo, no 4-3-3 com Jean e Diguinho no meio, muita velocidade e Sóbis goleador, centralizado, mas se movimentando com Biro-Biro e Rhayner.

A boa fase acabaria no 1×1 com o Botafogo, clássico em que Felipe retornou e Rafinha foi lateral na volta do 4-2-3-1.

Início de uma seqüência de 9 jogos sem vitória que tornaria o pesadelo uma grande realidade. Luxa não conseguiu mais dar seqüência ao time: manteve o 4-3-1-2 contra o Inter (1×0), alternou para o 4-2-3-1 contra o Vasco (1×0) e resgatou o misto de losango e 3 zagueiros a partir da movimentação de Edinho no empate contra o Grêmio (1×1).

Luxa oficializou o 3-5-2 nos jogos seguintes, com Edinho na zaga central ao lado de Gum e Euzébio. Samuel e Ailton ganharam chances, mas o time continuava lento e sem criatividade.

A situação foi piorando no empate contra a Ponte (1×1) e na incrível virada do Vitória, com um a menos (3×2). Luxemburgo tentou um 4-3-3 no Fla-Flu (1×0), com Anderson improvisado na lateral (em comparação a Maldini, como o técnico falou na entrevista pré-jogo), mas o time novamente foi mal e Luxa não resistiu a mais uma derrota, contra um Corinthians em crise (1×0).

Veio Dorival Júnior, que deixara o Vasco praticamente na mesma situação. Sem opções, o novo treinador armou o mesmo 4-2-3-1 de seus times anteriores, mas com uma leve mudança: Digão na lateral esquerda para liberar Marcos Júnior ou Rafinha pelo lado.

Deu certo contra o Náutico (2×0) e São Paulo (2×1), mas a derrota para um desinteressado Santos (2×0) e o empate contra o Galo (2×2) levaram a decisão para a última rodada.

O Flu não dependia mais dele: ganhou do Bahia (2×1), mas selou seu terceiro rebaixamento na história.

Se vai pagar a Série B ou não, o Fluminense paga pelos próprios erros. Erros que existiam desde 2012, quando foi campeão brasileiro: elenco pouco equilibrado, muito dependente de Cavalieri, e uma relação pouco amorosa com a Unimed. Apostar em garotos após vender Nem e Neves foi pouco inteligente, do mesmo modo que as contratações de Felipe, W. Silva e Rhayner não serviram para qualificar o elenco.

E é claro, os salários atrasados. Difícil motivar um jogador que não recebe.

Do topo ao caos em apenas um ano, o Fluminense sela mais um vexame.

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