Cronologia tática do rebaixamento vascaíno

Antes do jogo contra o Botafogo, no fim de outubro, Juninho discutiu, esbravejou e pediu seriedade no treino do Vasco. Fez valer seu status de ídolo para exigir concentração, união e responsabilidade de um elenco jovem e dividido.

O “Reizinho” encerra a carreira da pior forma possível: com o segundo rebaixamento em 6 anos que mancha também o maior dos ídolos da Colina, Roberto Dinamite.

Caminhada trágica que começou com Paulo Autuori, esperança após Gaúcho e Carlos Alberto falharem na reconstrução no Carioca. Vascaíno na infância, o técnico colecionou fracassos, como os 5×1 para o moribundo São Paulo de Ney Franco, na segunda rodada.

Taticamente, Autuori misturou discursos que não se viam na prática. Primeiro, falou que o time ia jogar no 4-4-2, mas armou um 4-2-3-1 no Brasileirão que na prática era um 4-3-1-2 com Ken (na direita) ou Wendel (na esquerda) trabalhando nos lados e fechando com o volante oposto para Eder Luís ou Alisson darem profundidade no outro flanco.

Mas a equipe tinha sérios problemas de transição: quando titular, Bastos passava da linha da bola, Ken ficava preso na marcação e Carlos Alberto (ou Dakson) tinha que se desdobrar para levar a bola no ataque. Sem velocidade e com um buraco na direita deixado pelo ofensivo Elsinho, a equipe não foi bem: 3 derrotas, 2 empates e 2 vitórias, aproveitamento de 38%.

Autuori se cansou dos salários atrasados e saiu para mais um desastre no São Paulo. Em seu lugar veio Dorival Júnior, comandante que subiu o time em 2009 adotando um losango no meio-campo durante toda a primeira série B.

Na estréia, resgatou Eder Luís e posicionou Ken na esquerda de um 4-2-3-1, como atuava no Coritiba. A derrota não pesou tanto na semana em que Guiñazu, Cris, Montoya, Fágner e o retorno de Juninho foram anunciados, além dos salários em dia e da parceria com a Caixa.

Com a empolgação de início de trabalho e elenco a disposição, Autuori montou um 4-3-2-1 com interessantes variações e que parecia decolar depois das vitórias no Fluminense (3×1) e Criciúma (3×2), mas que não teve continuidade no time titular e tropeçou.

Juninho era uma espécie de meiocampista, pressionando junto a André quando o time não tinha a posse. Ken marcava o volante adversário e Éder alinhava, colaborando para a compactação que protegia a ainda insegura zaga. Atacando, o time procurava o Reizinho para lançamentos ou ao agudo Fágner. Ainda que perigoso no ataque, a defesa falhava muito, geralmente com Cris, e pecava quando não tinha velocidade.

O Vasco ficou 3 jogos sem ganhar (incluindo o jogão contra o Bota) e mesmo o 1×0 no Couto Pereira não foi suficiente para animar a equipe, na perigosa 16 posição. A saída de Éder Luís e as constantes ausências dos nomes titulares impediam Dorival de dar sequência.

No 1×1 com o Corinthians, Dorival descobriu Willie e salientou um 4-2-3-1 com muita velocidade nos lados com Marlone e o camisa 93. Juninho passou a atuar mais centralizado e recuava para iniciar a saída e dar qualidade. Mas faltava compactação e menos espaços nas costas da defesa que faziam Cris ou Jomar saírem atrasados no bote.

O meio também encontrava problemas sem Sandro Silva: Abuda até foi bem, mas Wendel e Soutto não ajudavam na marcação, como no confronto direto perdido contra o São Paulo, no Rio. A solução foi recuar Ken junto a Soutto e efetivar Willie (ou Cley) no primeiro tempo. Assim, o Vasco ficou 4 partidas sem perder e dava sinais de recuperação.


Até a demasiada juventude dar as caras em falhas individuais que decretaram as derrotas para Criciúma (3×2) e Goiás (2×0). Também evidenciou a desunião da equipe, com André e Rafael Vaz com a cabeça na noite e Juninho levando sozinho a responsabilidade.

No clássico contra o Botafogo, a ausência de André provocou um 4-6-0 que foi muito mal e só Thalles, um garoto, salvou na referência. Dorival não resistiu a mais uma falha de goleiro e saiu após o 2×1 para a Ponte, com 29 jogos, 9 vitórias, 8 empates e 12 derrotas, aproveitamento de 40%.

Adílson Batista veio para o “tiro-curto” de 7 jogos e animou no 4-1-4-1 das 2 primeiras partidas: o 2×1 contra o Coxa e o 2×2 contra o Santos. Sem Juninho, o time cresceu de rendimento com Wendel e Ken avançados e Abuda marcando individualmente o cérebro do time adversário para Marlone ter toda a liberdade na esquerda.

Na derrota para o Grêmio, na Arena (1×0), Adílson retomou o desenho do segundo tempo contra o Coxa: um 3-4-2-1 que dependia de Marlone, sempre ele, e não teve fluência defensiva e ofensiva. O nervosismo parecia tomar conta já.

O empate contra o moribundo Corinthians (0x0) marcou o retorno do 4-2-3-1, dessa vez com Renato Silva de lateral, e complicou o Vasco, que renasceu na polêmica vitória no Cruzeiro (2×1) e nos 3 pontos obrigatórios contra o Náutico (2×0). Dessa vez em novo desenho: um 4-2-3-1 que se aproximava de um 4-2-2-2 com Thalles muito agudo (mas voltando para acompanhar o lateral)  e foi bem, apesar de um sofrimento acima do normal.

No “milagre de Joinville” contra o Atlético-PR buscando a Libertadores, Adílson manteve o desenho, mas o nervosismo imperou nos inquestionáveis 5×1 do Atlético-PR que selou o rebaixamento em partida marcada pela selvageria de torcedores.

Desunião no elenco, trocas de técnicos, indefinição de time titular e desempenho ruim em clássicos: o Vasco seguiu a risca o roteiro do descenso em 2013. Hora de reconstruir de verdade.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s