A antiga e muito funcional receita da Ponte Preta na Sulamericana

Arsene Wenger, o lendário treinador do Arsenal, afirma que o 4-4-2 em duas linhas é o esquema mais racional e fácil porque tem 60% dos jogadores ocupando 60% do campo.

O desenho nasceu na Inglaterra, na década de 1960, e logo virou febre. Nunca mais saiu da moda, como prova a vitória histórica da Ponte Preta hoje.

Nos primeiros 30 minutos, quem dominou foi o São Paulo, no 4-2-3-1 que Muricy vem adotando, com muitas aproximações, toques curtos para explorar a visão de Ganso e Paulo Miranda mais preso como lateral-base.

Muitas vezes era possível ver Denílson na saga, fazendo a “saída de 3″, movimento cada vez mais comum que Scolari adotou com Luiz Gustavo na seleção. E assim o São Paulo chegou ao gol, espetando os pontas, marcando no campo adversário e com Maicon auxiliando Ganso na criação.

Mas o tricolor cansou e permitiu a Ponte explorar as laterais. No 4-4-2, a criação de jogadas se dá nas diagonais dos wingers, como Rildo fez no gol de empate, no fim do primeiro tempo.

Muricy viu e agiu certo. Isso mesmo: a entrada de Wellington no lugar de Evangelista não foi retranca, foi uma estratégia para ganhar o meio-campo: ao redesenhar o São Paulo num losango, no encaixe individual de marcação Maicon ficaria livre, e poderia avançar no ataque.

Só não deu certo porque a Ponte voltou mais encolhida e intensa no contragolpe. Quando Elias recebia, Bastos, Rildo e Leonardo avançavam e ofereciam opções de passe. Tudo com tanta velocidade que confundia a marcação do São Paulo.

Depois do segundo gol, o São Paulo teve que se mandar ao ataque. Foi organizado, mas individualmente pecou: chuva, cansaço, dificuldade de passar as linhas…tudo pesou.

Empilhar atacantes também não resolveu, e a Ponte chegou ao terceiro gol e a uma vitória histórica na noite em que Ceni também faz história igualando o recorde de Pelé.

A receita é antiga: 2 linhas compactas, na intermediária, e transição rápida. Lembrou do Bayern contra o Barcelona? Hoje foi São Paulo e Ponte Preta, mas poderia ser o futebol inglês da década de 1980.

Foi com essa tática manjada e que até hoje é difícil de superar que a Ponte fez história contra Vélez e São Paulo e provou que sim, também dá para acreditar.

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