O fim do ciclo do Corinthians e de Tite

Um ato de gratidão e amizade se transformou no mais vencedor técnico da história do Corinthians. 3 anos de um ciclo vitorioso que chega ao fim após mais altos que baixos.

Tite chegou ao Corinthians em 2010 pela amizade com Andrés Sanchéz, iniciada em 2004. O então diretor trouxera o gaúcho para salvar o time, mas desavenças com a MSI tiraram Tite do comando após um Majestoso em 2005.

Em 2010 abdicou de disputar o Mundial para salvar o time deixado em frangalhos físicos e táticos por Adílson Batista. Na estréia, contra o Palmeiras de seu mentor Scolari, Tite implantou seu esquema preferido: o 4-3-1-2, com Elias e Jucilei circulando pelos lados para a movimentação de Dentinho. Mas falhas cruciais de Júlio César tiraram o título e jogaram o time para a pré-libertadores, contra o Tolima.

O pior vexame dos 103 anos de Corinthians e também o início de sua redenção. Já no 4-2-3-1, o time foi estático com Roberto Carlos e Ronaldo lentos, Bruno César preso na marcação e sem ímpeto ofensivo e defensivo. Mais uma eliminação e crise desencadeada que quase terminou com a demissão do técnico.

Sua manutenção após muita pressão foi a chave para unir o grupo com sua meritocracia no time titular, “falar muito” e começar um trabalho tático atualizado para o Brasil: intensidade, compactação das linhas, marcação pressão, linha de frente cercando e abafando a saída de bola e muita repetição de movimentos na fase ofensiva.

Após perder o Paulista para o Santos e acumular pedidos de saída pela torcida – a voz do planejamento não é a dos torcedores – Tite amadureceu o Corinthians  no Brasileirão, onde começou com uma incrível seqüência de 9 vitórias, muita intensidade e mobilidade da linha de meias, que podia ter Emerson, Danilo, Sheik, William e Jorge Henrique. Ralf era mais tímido na frente para Paulinho combinar presença na área, cabeçada forte e também desafogar o time quando os meias não funcionavam.

Campanha que superou a “crise Chicão” no meio do campeonato, emendou 5 vitórias no fim e ganhou o Brasileirão.

Em 2012, Tite soube renovar o time, mas manteve a base: linha defensiva e a infalível dupla Ralf-Paulinho. Também amadureceu mais ainda seus conceitos e passou a jogar sem um centroavante: Danilo e Alex se revezavam na frente e todo o time marcava na saída de bola para criar: transições rápidas e muita bola aérea.

O time roubava na frente e saía rápido. Jogava sim no erro adversário, mas não esperava esse erro, forçava marcando na frente. A posse de bola, tão comentada, era usada como recurso defensivo: zagueiros trocando passes e esperando espaços na frente. Saída de bola sempre com triangulações entre lateral, volante e winger.

Assim passou pelo difícil Vasco e eliminou o rival Santos para enfim superar traumas ao ganhar a Libertadores, obsessão corintiana desde as conquistas rivais na década de 90 e traumáticas eliminações desde 78.

Usando o Brasileiro como esboço para o Mundial, Tite acenou com Douglas na linha de meias: sabia que era preciso depender menos de marcar para atacar. Mas o desempenho ruim na Semi do Mundial levou Tite a mudar: lançou Jorge Henrique, mudou para o 4-1-4-1 e radicalizou, passando a jogar puramente na transição. Dominado pelo Chelsea, Cássio salvou e Guerrero aproveitou falha de David Luiz para marcar o mais importante gol corintiano na história.

Veio 2013 e a já sabida necessidade de renovar. Para isso, Tite ganhou Gil, Renato Augusto e a “loucospirose” de Pato. Mudou o time: o 4-4-2 em duas linhas foi organizado e intenso enquanto durou. A lesão de Renato fez o técnico voltar a um já decadente 4-2-3-1, onde Paulinho avançava menos, as linhas eram mais recuadas e Emerson era presença mais aguda na esquerda, invertendo com Danilo.

Eliminado pela arbitragem e pelo seu próprio desempenho na Libertadores, Tite ganhou um paulista sem muitas complicações e entrou no Brasileiro tentando remodelar o 4-2-3-1 sem Paulinho e com Pato como meia-esquerdo. Ficou no G-4 por algumas rodadas e fez muitos acreditarem que o time estava forte, mas os problemas de criação nunca tinham sido tão grandes.

A explicação foi feita aqui, quando o Corinthians estava no G-4: é a falta de marcação que explica os poucos gols do Corinthians. O time não mudou a forma de jogar, mas marca menos. Por isso faz menos gol.

Por isso fez segundo turno ruim. Quando o sistema defensivo – alicerce de todas as equipes da carreira de Tite – começou a falhar com muitos espaços entre os setores, o time desandou. Passou a marcar menos e muito mais recuado. A linha de impedimento que antes funcionava bem acabou por mandar o time mais ainda para trás.

Tite permaneceu após o vexame de 4×0 para a Portuguesa, sem demonstrar poder de reação ou alternativas táticas e técnicas. Mas novos empates (todos por 0×0) e a derrota para o Grêmio que tornou o perigo de rebaixamento muito real colocou um ponto final no trabalho de Adenor.

Tite não mudou a forma de trabalhar e manteve a meritocracia, muitas vezes vinda do passado quando o momento pedia mudança e renovação. O técnico não gosta de trabalhar com jovens e é insistente no que já deu certo no passado, nem sempre no presente.

Mas a culpa não é só dele. Pato veio como o craque que nunca foi por R$ 40 milhões e justificou o banco. Guerrero, Danilo e Emerson caíram de produção. Renato Augusto se lesionou. Prova de que o Corinthians nunca teve elenco, mas sim um time forte e entrosado. Quando isso se perdeu, faltaram as opções que não vieram com Ibson e Maldonado.

Tite é o segundo técnico que mais dirigiu o Corinthians, atrás apenas de Oswaldo Brandão. É mais ídolo que o lendário Brandão com 268 jogos: 131 vitórias, 84 empates e 53 derrotas, aproveitamento de 59,33%. Ganhou Brasileiro, Libertadores, Mundial, Paulista e Recopa.

O fim de um ciclo, o fim de um ídolo: Adenor Leonardo Bacchi continua sendo o “fala muito” da Fiel. Mas a hora da renovação e o fim do ciclo chegou.

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