Dissecando o campeão Cruzeiro em vídeos e frames

Coletivo. Nenhuma outra palavra explica tão bem o título brasileiro do Cruzeiro, conquistado com sobras em 2013.

Nenhum jogador de seleção ou considerado “craque”. Pelo contrário: Egídio saiu escorraçado do Fla, Bruno Rodrigo e Henrique foram muito criticados no Santos e Nílton saiu como brucutu do Vasco. Um técnico mal visto pela torcida e que acumulou vices no Coritiba.

Como explicar uma campanha de 23 vitórias e aproveitamento de 71,4%? Simples: a união faz a força.

Times que vencem não necessariamente possuem os melhores jogadores. Há uma legião times “milionários” que não deram certo, e times sem jogadores de destaque que se sobressaiam pelo coletivo. O Cruzeiro 2013 faz parte da segunda categoria.

O Cruzeiro manteve um padrão tático durante todo o campeonato, independente da qualidade individual. Se um jogador faz a mesma coisa durante toda a partida, suas chances de errar são menores.

O segredo todo está na montagem e no aproveitamento dos jogadores em prol do time.  Quando se diz que “os atacantes estão mal no jogo”, avalia-se muito mais uma condição individual do que percepções coletivas e táticas.

A tríade elenco forte, com reposição de mesmo nível (não importa se é boa ou ruim, mas mantém o nível), vestiário fechado e forma de jogo definida foi repetida ao longo de toda a temporada e deu resultado

E foi importante não ouvir a torcida, incompreensiva ao criticar Marcelo Oliveira pelo “passado atleticano” e pedir constantemente sua saída. A voz do planejamento não é a voz dos torcedores.

Padrão tático

O 4-2-3-1 que não mudou no ano todo. No primeiro semestre, a forma de jogo era ligeiramente diferente:

Dagoberto, pela esquerda, era o ponto forte do ataque do time e fazia o “facão” na área com o apoio de Egídio. Diego Souza ora abria pelos lados, ora recebia e passava e Éverton Ribeiro fazia a costumeira diagonal para armar o time.

Leandro Guerreiro tinha comportamento mais preso para soltar Mayke/Ceará e Egídio, quase ao mesmo tempo. Um time que atacava muito pelos lados e explorava os contra-golpes.


Diego Souza saiu depois da Copa das Confederações e a diretoria corrigiu o elenco com William e Júlio Baptista: corrigir também é planejar.

O primeiro se ajustou no time e mudou a característica do Cruzeiro, que passou a atacar mais na transição em velocidade e nas bolas aéreas, no mesmo 4-2-3-1. O quarteto ofensivo é intenso e se mexe, ao contrário dos volantes, que pouco apóiam. A bola aérea foi forte com Goulart quase como centroavante e muito jogo pelos lados com Egídio e Mayke quase como pontas, sustentados por Nílton, que mesmo goleador foi mais um “volante volante” o ano todo.

Comportamentos que se repetem

Chama a atenção o predomínio de comportamentos táticos que se repetem o ano todo, independente do jogador.

O primeiro deles é a transição intensa do quarteto ofensivo com o trabalho de pivô do centroavante. Observe como as jogadas do vídeo abaixo ocorrem quando o time rouba e aciona os 4 homens de frente, que muito rapidamente chegam ao gol. Não há a participação de volantes e laterais nesses momentos.

Transição do Cruzeiro

Na fase defensiva não há a formação de linhas de jogadores, nem a famosa “marcação-pressão”. O time concentra suas forças no rebote, mas sempre com alguns homens na frente da linha da bola para acionar. Não há a participação defensiva de todos os homens, um comportamento na contramão do que se prega o futebol moderno.

Cruzeiro sendo atacado

Durante o campeonato, a saída de bola sofreu algumas alterações. Sem Lucas Silva, Marcelo Oliveira soltava Mayke e Egídio para pressionarem pelos lados. Com o jovem jogador, ele passou a organizar o momento de transição e também a participar na frente com chutes de longa distância.

Execução correta do 4-2-3-1? Nem tanto: os volantes não apóiam, não há marcação pressão nem formação de linhas. Trata-se de um time que mistura práticas modernas e antigas e aproveita as características do elenco: se os laterais pedem apoio e os volantes pedem marcação, qual é o problema de adotar uma tática assim?

Planejamento, jogadores regulares, coletividade e manutenção da forma de jogo: a “receita” da campanha que faz o Cruzeiro ser tri e que desmonta mitos e imediatismos.

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