A cronologia tática de Dunga no Internacional

“Inter é como a seleção: tu não treina quando quer, treina quando é convocado.”

A declaração de Dunga abre esse post e também o de maio, quando o técnico acabara de se sagrar campeão gaúcho. 5 meses depois, Dunga é demitido pela queda livre na tabela com a impressão de ser um dos menos culpados pela má-fase do Internacional.

O elenco é envelhecido e mal construído. A diretoria preferiu trazer jogadores de renome e não construir opções de banco para ter reposição. J. Henrique na lateral é um exemplo, assim como o Gre-Nal 397. Bons jogadores o Inter tem, mas possui falhas imensas na defesa e no meio. A saída de Fred abriu um buraco no time até hoje não reposto.

O início de trabalho, na Taça Piratini, foi promissor e ofensivo: 4 vitórias, 3 empates e apenas 1 derrota (com reservas). 20 gols marcador por um time objetivo e móvel, que espetava os laterais no campo adversário, ao mesmo tempo, e apostava na transição ofensiva de Fred, misto de volante-meia que puxava a variação do 4-3-1-2 para o 4-2-2-2 (conforme frame tático aqui). Forlán podia voltar pela esquerda e D’Ale pela direita, formando um 4-2-3-1 sem a bola.

Na Taça Farroupilha, Dunga colocou Willians e Airton em um 4-3-1-2 mais nítido: meio marcando forte para Forlán ter liberdade de movimentação e D’Ale circulando mais pela direita, com Fred apoiando na faixa central. Os laterais espetavam ainda mais e eram responsáveis pelas jogadas de linha de fundo, ponto forte do time que novamente sobrou com 8 vitórias em 10 jogos e 17 gols marcados.

Dunga manteve o 4-3-1-2 sólido nas primeiras partidas do Brasileiro, mas o time mostrou instabilidade na defesa com muitos empates e gols levados. Após a Copa das Confederações, Dunga achou Jorge Henrique para fazer o mesmo papel de Fred, atuando pela faixa esquerda do mesmo 4-3-1-2, e emendou 4 vitórias seguidas até o fatídico jogo contra o Náutico, que expôs os problemas defensivos do Inter, e o Gre-Nal, onde a falta de um lateral foi decisiva no empate.

As chegadas de Alex e o badalado Scocco deram a Dunga opções no setor onde o time se ajustara: na frente. Mas a defesa continuou sofrendo sem opções para as lesões. Dunga modificou o sistema para um 4-4-2 em duas linhas, com Alex e D’Ale centralizando, mas a forma do camisa 12 e os espaços entre os setores fizeram com que o Inter empatasse demais, como contra o Atlético-MG.

A solução para estancar o setor defensivo foi adotar o 4-2-3-1 com um homem rápido voltando pelo lado. A partir da sofrida vitória contra o Corinthians, Dunga se decidiu pelo esquema, mas os problemas ficavam mais evidentes também na transição: Willians, Gabriel e D’Ale faziam o trio mais aceso na direita, mas o restante do time permanecia disperso.

Em nova derrota par a o Bahia, Dunga retornaria ao 4-3-1-2 pelos imensos desfalques da equipe e também pelos problemas: meio-campo disperso, movimentação sem padrão no ataque e indefinição de marcação na defesa: zagueiro sai para fazer o bote ao mesmo tempo que o volante, abrindo um buraco perfeito para a movimentação adversária. Contra a Lusa, Alex tentou dar qualidade ao meio como volante pela esquerda no retorno ao 4-2-3-1, mas o time continuava sem criação, como no sofrido empate com o Furacão pela Copa BR.

Tentando colocar velocidade, Dunga deu chance a um jovem trio de meias no 4-2-3-1, mas viu seu time espaçar ainda mais os setores e ficar estático no ataque, muitas vezes apenas com D’Ale na frente. Quatro derrotas seguidas, incluindo a derrota para o Vasco que marcou o ato-final de Dunga.

53 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e nove derrotas. Até que ponto a culpa é só de Dunga? Paulo Paixão não conseguiu acabar com os problemas físicos. A diretoria e Luigi gastaram muito com Scocco e não deram a reposição para peças no meio e na defesa. Desempenho ruim pelo espaçamento do time e por confusão entre marcação individual e setorial não se resolve apenas com treino: é preciso executar o que o técnico pede. No Inter nem sempre isso acontece.

O problema do Internacional não é técnico. Apontado como favorito todo ano – o que não tem utilidade nenhuma – o time cai mais uma vez. Até quando o técnico será o culpado?

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s