Liderança do Cruzeiro ensina o que é planejamento no futebol

À primeira vista, o placar de 3×0 parece enganoso com posse de bola maior do Bota e do número quase igual de finalizações (17 x 16). Mas não é: o Cruzeiro é um time definido ao extremo e sabe o que faz.

O 4-2-3-1 não muda a forma de jogar, mesmo trocando de jogadores. A linha de meias tem funções definidas: Éverton Ribeiro parte da direita para achar passes verticais, Goulart chega na área usando o físico e acelera o contra-golpe e William combina as diagonais típicas de winger com bom posicionamento.

Os volantes guardam o posicionamento para liberar os laterais, que muitas vezes apóiam como alas ou pontas, buscando os cruzamentos na área. Sem a bola, o time se compacta na defesa, em bloco médio-baixo, e deixa geralmente 2 ou 3 meias para o contra-golpe. Estratégia sempre definida: no Mineirão, pressão até achar o gol. Fora, linhas recolhidas e contra-golpe.

É o que mais finaliza: 379 chutes, sendo 210 errados e 169 certos, média de 7,8 chutes para fazer um gol. Usa da tão criticada bola aérea (8 gols saíram assim) e dos chutões (Dedé e B. Rodrigo são os maiores rebatedores, com 210 e 208 rebatidas cada um) para alcançar ou garantir resultado.

Nos 20 minutos iniciais, o Botafogo sofreu pressão e errou mais passes do que o normal no também imutável 4-2-3-1 de Oswaldo de Oliveira. Mesmo com mais posse e domínio territorial do Bota, o Cruzeiro comandava a partida até acertar com Nilton.

O time carioca continuou sofrendo para criar com Seedorf bem marcado e se abriu demais no segundo tempo, cenário perfeito para a transição mortal do Cruzeiro: recolhe seus jogadores em bloco médio e sai rápido na meta adversária, geralmente com poucos passes.

Difícil não relacionar os 3×0 no Botafogo com o mesmo placar sobre o Santos, também vice-líder em 2003. Nas duas temporadas há algo em comum: o planejamento, palavra muito usada mas pouquíssimo compreendida.

O elenco é equilibrado: não há “craques”, mas sim reposição para todas as peças sem perder o nível técnico ou modo de jogo. A diretoria manteve o técnico mesmo sem o resultado imediato no Mineirão. Assim, Oliveira teve tempo para impor sua filosofia e definir a forma de jogo que não mudou com as chegadas de William, Batista e a saída de Diego Souza.

A diretoria não cedeu a pressões da torcida que pedia a saída de Marcelo Oliveira pelo seu “passado atleticano” e as críticas feitas a vários jogadores. Na maioria das vezes, a voz da torcida não é a voz do planejamento. Egídio é o símbolo: massacrado no Fla, teve sequência e hoje é o segundo que mais acerta passes (909) e cruzamentos (28). Um time campeão não necessariamente tem os melhores jogadores, e sim os em melhor fase. Egídio continua sendo Egídio, mas a fase técnica mudou.

Definição de time titular e forma de jogar, manutenção de técnico, salários em dia e administração correta do clube e do vestiário: assim como em 2003, o Cruzeiro ensina o que é planejamento no futebol e fica mais perto do título.

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