No meio de tantas contratações, Arsenal e Liverpool apostam no que têm

Apesar das grandes contratações na temporada – Moyes no United e um repaginado Tottenham que promete – Arsenal e Liverpool, tímidos no mercado que fecha hoje, resolveram apostar no que eles já têm e mostram que contratar nem sempre é o segredo do sucesso.

O caminho parece mais natural ao Liverpool. Desde a renovação que veio com Rodgers, o clube contrata pouco, mas bem: jovens com potencial como Coutinho e outros já afirmados como Sturridge. Moses dá ainda mais opções ao setor ofensivo.

No clássico contra o United, o gol no início ajudou a construir a vitória dos reds. O 4-2-3-1 inicial começou em cima, retirando do United sua melhor jogada – a transição. Após o gol, o Liverpool continuou com linhas avançadas, desarmando e armando com Gerrard e Lucas e acelerando o jogo com Coutinho na esquerda. Após 30 minutos, Brendan colocou Aspas para fazer companhia ao móvel Sturridge, no 4-4-2 que encaixotou o United.

Moyes manteve o 4-4-2 que adota no clube, com Welbeck puxando as jogadas para Van Persie finalizar. A mexida veio com Giggs na direita e Young na esquerda, se juntando mais aos volantes para preservar o lendário camisa 11. Se o substituto de Ferguson mantém uma dupla de ataque e de meio, ainda encontra a melhor forma de criar jogo: há dois jogos sem marcar, o United já carece de objetividade e passe qualificado no ataque.

Segundo tempo de domínio do Manchester: posse de bola (terminou com 57%) e Nani e Chicharito, mas faltou a conclusão: 10 chutes a gol contra 11 do Liverpool, que apostou no contra-golpe puxado por Coutinho, dessa vez entre as linhas do United.

No outro clássico da rodada, o criticado Arsène Wenger mostrou que talvez esconda algo óbvio: seu próprio elenco.

O manager acumulou críticas perante a torcedores e imprensa ao simplesmente não contratar nenhum jogador de impacto para a temporada – Ozil pode chegar, é verdade – mas a desvantagem em relação aos rivais é nítida. Mas num elenco tão talentoso no meio e com uma possível defesa entrosada é preciso mesmo de mais jogadores?

O 4-2-3-1 com Cazorla, Rosicky e Walcott na linha de meias teve execução ligeiramente diferente da adotada: o camisa 19 centralizava para Rosicky pensar o jogo por todo o campo. Os Gunners avançaram a marcação e mantiveram os passes no ataque, mas o gol veio no contra-golpe: Rosicky pensou e Walcott acelerou para Giroud completar.

O Tottenham de André Villas-Boas não achou seu jogo. Os Spurs seguem o estilo do aprendiz de Mourinho: o 4-1-4-1 adianta a marcação, abre zagueiros e meias para ampliar o campo e trocar passes. A execução ficou prejudicada quando o Arsenal explorou o espaço entre a primeira e segunda linha – só Capoue recompunha, o que permitiu ao Arsenal armar o jogo com Cazorla livre.

No segundo tempo, o Tottenham tentou pressionar:completou 433 passes contra 197 dos Gunners e teve 57% de posse, mas parou na surpreendente bem armada defesa de Wenger – foi o sistema defensivo o mais falho e criticado nos últimos anos.

A Premier League ainda está no início e os treinadores precisam de tempo para impor seu estilo. É natural que Moyes oscile na adaptação ao United ou que Pellegrini sofra para dar o acerto defensivo ao City. Mas as vitórias de Liverpool e Arsenal mostram que os tradicionais times podem sim fazer boa temporada sem grandes contratações- apostar no que se têm, dar entrosamento e organização as vezes é a melhor coisa.

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