Desempenho do São Paulo não condiz mais com Z-4. Ainda dá tempo?

O São Paulo começou dominando o jogo com marcação avançada, troca de passes e ímpeto ofensivo no 4-2-3-1 com Osvaldo retornando pelo centro para Ganso guardar a perna pressionando na frente. Desarmando e rodando a bola, o Tricolor teve boas chances nos primeiros 30 minutos de jogo, não transformadas em gol pelos inúmeros erros em finalizações e cruzamentos.

Após o domínio tricolor, o Botafogo avançou a marcação e tirou a saída rápida de Ganso e Jádson. No 4-2-3-1 de sempre, o Glorioso apostou nas jogadas laterais ou no apoio constante de Júlio César, mas não finalizou a ponto de incomodar Ceni e errou passes demais no meio. A opção por Elias, se tira a velocidade do time na transição, pode reter mais a bola na frente para a aproximação dos meias. Apesar disso, o camisa 39 pouco foi acionado com muitos passes errados.

O Botafogo passou a trocar mais passes na segunda etapa, quando o time paulista se recolheu para sair rápido. Negueba e Welliton conseguiram boas jogadas, mas pararam na finalização, calcanhar-de-aquiles do time organizado e mais confiante, mas ainda no Z-4. Oswaldo tentou repaginar com Alex e Renato: 0 camisa 8 deu maior qualidade na construção das jogadas que paravam no ataque, e o jovem atacante foi mais incisivo do que Elias. Pressão sem resultado.

Mesmo apostando nas jogadas pelos lados – 25% da posse aconteceu na meia esquerda e 22% na meia direita – o Botafogo terminou o jogo com 58% de posse de bola, 11 finalizações e 392 passes, mas sem um gol. Um movimento comum foi a “saída lavolpiana” com Gabriel recuando entre Bolívar e Dória para espetar ainda mais os laterais: boa solução para Júlio César encontrar Seedorf na esquerda, mas sem Vitinho na direita o time pouco ataca por lá (dados via @footstats).

Sem Vitinho, o Botafogo parece carecer de criação com Seedorf muito isolado nas funções de passar a bola com qualidade. É cedo para fazer qualquer prognóstico sobre a criticada negociação e também natural que o time oscile sem uma de suas principais peças. Resta saber se o Botafogo elenco para suprir e moldar, como nas saídas de F. Gabriel e Andrezinho.

O São Paulo trabalhou a bola no ataque e manteve a organização na defesa, mas continua sofrendo com a má fase ou as ausências de seus finalizadores. Antes apático, o repaginado Tricolor vem fazendo bons jogos – 4 deles sem perder – e seu desempenho já não merece mais o Z-4. Os comandados de Autuori terão um turno para conseguir o acerto ofensivo. Ainda dá tempo?

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