Tempos distintos mostram as duas caras do Galo, campeão da Libertadores

30 minutos do primeiro tempo: Tardelli recebe livre na entrada da área e desperdiça a chance mais cristalina até então.

O lance representa bem o contraste entre os dois tempos que representou o melhor e o pior do Atlético-MG na Libertadores.

O primeiro tempo foi reflexo do desempenho na fase de mata-mata: problemas de marcação atrás e “mode repeat” no ataque: bola alta para Jô escorar para as diagonais dos pontas ou algum lance de efeito de Ronaldinho. O 4-2-3-1 foi imutável – Cuca mudou apenas uma vez, lá no Paraguai – e teve problemas quando duplicavam a marcação no camisa 7 ou vigiavam demais Ronaldinho.

Por isso o Atlético precisou tanto de Victor. Por isso ficou mais difícil acreditar nos 45 iniciais, quando o Olimpia resgatou a linha de 5, posicionou Silva para explorar as costas de Michel e não deu espaços na área para as jogadas altas. Mesmo chegando a 65% de posse e quase o triplo de passes trocados, o Galo não teve intensidade e ainda levou contra-golpes de perigo.

No segundo tempo, entrou o melhor Galo, aquele da fase de grupos: intenso, veloz, apressado e ofensivo. O “mode repeat” continuou, mas agora com organização e rapidez nos movimentos. A entrada de Rosinei melhorou a saída de bola e permitiu ao Galo enfileirar mais gente na área para os cruzamentos, principalmente pelos lados. O gol de Jô em falha de Pitoni, logo no início do tempo final, tornou o sonho mais crível.

Com o tempo passando, o Galo resolveu rodar a bola e tentar furar a linha defensiva do Olimpia: rodava de um lado para o outro, chegava na ponta, jogava na área. A expulsão de Manzur desmontou a bem sucedida linha e Almeida tentou corrigir num 4-4-1 com Baez como winger, mas perdeu a velocidade no contra-golpe dos dois melhores: Silva e Salguero. Cuca partiu para o “abafa” com Guilherme e Alecsandro, empilhando atacantes para o cabeceio que só o zagueiro Léo Silva fez aos 42 do segundo tempo.

Filme repetido na prorrogação: Olimpia praticamente nulo no ataque, Galo girando a bola de um lado para o outro a espera do cruzamento perfeito. Somando os 120 minutos foram 57 bolas na área e 75 cruzamentos: uns chamam de futebol bretão, outros de “Muricybol”, mas essa é a jogada mais forte do Galo desde 2012 que poucos conseguiram parar.

E novamente Victor – que era São, mas agora é O Libertador – entrou nas penalidades que decidiram o jogo e fizeram justiça com o futebol de bons e maus momentos do time.

Galo, enfim, Campeão. Para esse grito sair foram 42 anos de espera – até ontem o maior jejum entre os 12 grandes do Brasil. Agora não mais. Anos de sofrimento, de favoritismos não concretizados, de timassos no papel e não na prática. Anos de “efeito Cuca”. Anos de espera. Tudo isso teve um fim em 24 de julho de 2013.

Do quase-rebaixamento a Libertadores, o Atlético-MG é exemplo de trabalho a longo prazo, ousadia e planejamento. Não de finanças em dia.

É também exemplo de como no futebol não existe nada “escrito”, fórmula ou modelo: o Atlético é um time que joga sem bola no chão, aposta na individualidade de Ronaldinho e nas bolas longas para Jô. Usa “volantes-volantes” como Pierre, que não ousam atacar, e atacantes que não ousam cercar como Ronaldinho.

Tudo depende do encaixe, da execução. O Galo pagou o preço por praticar um futebol antigo (com um pouco mais de velocidade) e sofreu além da conta. Oscilou muito. Precisou mais de Victor. Mas também encantou mais. Driblou mais. Fez mais gols.

E nesses momentos o futebol prega as peças dele. Fereyra escorregou no claro tento de empate. Um improvável Léo Silva fez o gol da prorrogação. Cuca iniciou a fama de pé-frio no São Paulo e a encerrou no Atlético. Telê Santana a iniciou no Atlético e encerrou no São Paulo.

Coisas do futebol. Coisas da apaixonada e vibrante Massa. Coisas de Cuca, Réver, Ronaldinho, Bernard e Jô. Coisas do Galo forte, vingador e enfim campeão da Libertadores 2013.

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