Itália 0 (6) x (7) 0 Espanha: não existe fórmula

Qual é a fórmula de jogo para vencer a temida Espanha?

Resposta: nenhuma. Não existe fórmula nem modelo vencedor.

A Itália fez hoje o que todos os times e seleções vencedoras fazem desde que o futebol foi criado: foi fiel a sua proposta de jogo com máxima concentração individual e coletiva, insistencia nas jogadas treinadas e coragem para impor o seu jogo.

E perdeu justamente quando não teve concentração.

Porque novamente não há fórmula. Não adianta jogar bem se não fizer mais gols que o adversário. Tão simples, mas tão esquecido.

Prandelli perdeu Balotelli e Montolivo e treinou a semana inteira o 3-4-2-1 do jogo de hoje: Maggio e Giaccherini como alas, se juntando aos 3 zagueiros sem a bola, mas avançando para bater com os laterais espanhóis. Candreva e Marchisio ora centralizavam, ora abriam pelos lados para a chegada dos alas.

A coordenação dos movimentos italianos era claro: bola em Gilardino, que via ou Giaccherini ou Maggio nos lados e passava, corria para a área e espareva o cruzamento. Sem a bola, um 5-4-1 que não se limitava a fincar um paredão na frente do gol e marcava mais a frente, com máxima concentração para retirar as opções de passe dos espanhóis.

A Espanha se perdeu. O 4-3-3 contava com presença na área de Torres e a costumeira posse de bola com passes curtos, mas faltou individualidade e movimentação. O importante avanço de Alba foi totalmente contido por Candreva e Maggio. Pedro e Xavi ficaram encaixotados pela marcação. Só sobrava para Iniesta tentar limpar a bola e acionar na frente.

A Espanha não imprimiu seu jogo. Faltou velocidade, característica não muito presente no tiki-taka. Sobrou a imposição da marcação italiana: a famosa marcação pressão, retirando espaços do oponente e forçando o erro adversário. Observe como as opções de passe da Espanha estão totalmente marcadas, obrigando Casillas a dar o tão malfadada ligação direta.

Com meia hora, a Espanha tinha 68% de posse e apenas uma finalização. A Itália sobrava com 6 chutes a gol e apenas 178 passes completados contra 355 da Espanha.

O primeiro tempo terminou com uma média de 191,5 passes espanhóis para cada finalização, contra 22,5. Apesar de ser uma média, mostra exatamente como a Itália engoliu o tiki-taka com objetividade, marcação e concentração – e menos posse de bola, apenas 33% x 67% da Espanha.

Com Montolivo no lugar de Barzagli, De Rossi passou a fazer a sobra e a Itália manteve o esquema e toda a marcação, assim como a Espanha com Navas, que não imprimiu a velocidade que Del Bosque queria. Aos 15 minutos do segundo tempo, a Espanha tinha errado 22 passes, o mesmo número da Espanha.

Com a marcação italiana, o passe curto não teve mais efeito, obrigando a Espanha a lançar a bola e criar o jogo de outras formas,  o que foge de sua característica, justificando os erros. A Espanha se cansou porque teve que marcar sem a bola – e ela raramente faz isso, possibilitando cenas como a abaixo, com a Itália tocando a bola e a Espanha não fazendo pressão.

A Itália controlou o jogo dentro de sua proposta, mas pecou na finalização: não colocou para dentro do gol, outra coisa tão simples e tão importante. A Espanha errou passes, não conseguiu imprimir nenhuma de suas características e ainda rifou a bola da defesa por 9 vezes. Abusou de recursos que costuma ser contra.

O jogo na prorrogação foi influenciado pelo cansaço dos jogadores – os espanhóis que correram sem a bola e os italianos que correram com a bola. Mas cansaço não se dá apenas pelo clima, e nem sempre é vantagem.

Com Giovinco, velocidade na frente para a Itália. Com Martínez de centroavante, muitos cruzamentos da Espanha, e os mesmos esquemas. Como de costume no fim do jogo, a Itália diminuiu o ritmo e a escolha de Del Bosque por altura na área surtiu efeito com mais chances de gol para a Fúria, que passou a contra-atacar e chutou 9 vezes ao gol de Buffon.

Nas penalidades com dois grandes goleiros, uma aula de como cobrar. Todos marcaram. Menos um.

O futebol é de quem menos erra. De quem faz mais gols do que o adversário, não importando a qualidade do futebol jogado ou o modelo usado.

Leonardo Bonucci errou. Jesus Navas não.

A Espanha jogou muito menos do que a Itália hoje e faz a final mais esperada pelo futebol brasileiro: como o Brasil irá encarar o tiki-taka espanhol? Será “massacrado”? Tem condições de vencer?

Domingo mais uma promessa de grande jogo.

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