Brasil 4 x 2 Itália: convenceu

Como avaliar um jogo de seleção onde o resultado agradou, mas o desempenho oscilou?

Difícil resposta. A seleção brasileira é sempre muito cobrada para ser protagonista e nem sempre um 1×0 agrada.

Apesar de se recolher após o ímpeto inicial, insistir na ligação direta e ter a defesa vazada, o Brasil convenceu porque foi decisivo mesmo quando o desempenho deixa a desejar. Mesmo desfalcada e no limite físico, a Itália jamais pode ser desprezada e não perdia desde a final da Eurocopa.

O 4-2-3-1 brasileiro repetiu o que Scolari confirmou como estratégia na coletiva: intensidade no início para aproveitar a torcida e fazer um gol logo de cara. Dessa vez, apesar das grandes chances, não funcionou e após os 10 minutos a Itália conseguiu encaixar a marcação do 4-4-1-1 sem Pirlo e com Diamanti para puxar o contra-golpe. O Brasil sentiu, recolheu e passou a tocar atrás, sem muito sucesso ofensivo porque não há mais o “camisa 10″, aquele responsável por armar o time com um passe mais arriscado. A armação vem de posse e ultrapassagens, ou da ligação direta.

Com muita marcação, o jogo ficou pegado com muitas faltas e o cansaço natural da Itália. 3 substituições por lesão e poucas chances de gol até aparecer uma jogada típica de Scolari, muito criticada mas fundamental: a bola aérea que Dante empurrou para as redes no rebote de Buffon. Alternativa quando o jogo não flui no chão.

Apesar da vantagem, o Brasil manteve o que abusou no primeiro tempo: ligações diretas, avanços de Marcelo e Dani Alves ao mesmo tempo, bolas procurando Fred e Neymar e posse de bola atrás, procurando o espaço. Sem a bola, Neymar guarda o posicionamento mais a frente para as duas linhas diminuírem atrás.

A dinamica causa efeitos positivos e negativos. Se ataca demais pelos lados, deixa espaços demais nas costas dos laterais, como no primeiro gol da Itália, onde a defesa se desorganiza, Marcelo sai a caça de Balotelli e deixa o corredor esquerdo para Giaccherini marcar. A Itália se movimentou mais, inverteu por várias vezes Diamanti com o camisa 22 e levou perigo a retaguarda brasileira que ainda precisa de ajustes.

E Neymar apareceu para desempatar em mais um golaço, dessa vez de falta. Em 3 jogos já são 3 gols decisivos. A Jóia conseguiu combinar drible, participação com e sem a bola e chutes a gol para ser decisivo como foi no Santos.

Fred justificou a predileção de Scolari por um centroavante com gols típicos de “camisa 9″: aproveitou outro rebote de Buffon e venceu o zagueiro italiano para marcar mais 2 gols. Mais participativo e com mais movimentação, faltava a Fred justamente o que se espera: aproveitar as chances na frente. Ele não engessa o time, pois participa mais do que nos últimos jogos, e é importante para confundir a marcação no adversário.

Precisando dos gols, a Itália se mandou ao ataque com El Shaarawy e Chiellini muitas vezes na área, de onde fez o questionável gol, mas parou na marcação em duas linhas do Brasil, já no 4-3-3/4-1-4-1 estratégico com Bernard e Oscar puxando os contra-golpes na frente. Em todas as vezes que fez as substituições e alterou o esquema, o Brasil segurou bem o resultado.

A verdade é que todo mundo espera um Brasil x Espanha para testar a seleção contra a atual campeã. Como o Brasil irá reagir? Ficar na defesa e jogar no contra-ataque durante os 90 minutos, como a maioria das seleções? Tentar ter posse e velocidade, como a Nigéria ontem? Só uma possível final, no domingo, mostrará.

Mas é certo que o Brasil tem time, tem estratégia, tem treinador, tem craque e tem resultado. Falta o título.

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