Brasil 3 x 0 Japão: evolução visível


O golaço de Neymar logo no início do jogo acalmou o Brasil e permitiu executar o plano de jogo sem sustos. Também enfraqueceu o Japão, que não veio “por uma bola”, mas adotou postura mais cautelosa com Kiyotake no lugar de Maeda.

Apesar do contexto favorável, a Seleção foi intensa, consistente e estratégica. Nos primeiros 20 minutos, o melhor Brasil dos últimos tempos: muita movimentação do quarteto ofensivo com Paulinho se juntando ao ataque e laterais agudos, trabalhando com o meio. Luiz Gustavo já havia adiantado que teria funções defensivas e por muitos momentos ficou com os zagueiros, apesar de alguns metros a frente para dar o bote. E Fred foi disposto no pivô que Neymar aproveitou para marcar o belo gol.

O placar não abriu o organizado Japão de Alfredo Zaccheroni, que jogava na movimentação de Honda ou em Kagawa, partindo da esquerda para abrir o corredor a Nagatomo. Faltou conclusão e sobrou Júlio César quando o Japão atacou.

A partir dos 20 minutos, o Brasil perdeu a movimentação, mas continuou a investir no ataque. O Japão encolheu o espaço entre as linhas e acionou mais Honda nos raros momentos em que tinha posse de bola, mas sem sucesos.

Se sabe ou não o que fazer com a bola, o Brasil não encontrou espaço. Manteve a bola na defesa, liberou Marcelo e Dani Alves alinhados a Paulinho na saída de bola, desarmou e concluiu. Não faltou domínio nos jogo inteiro, mas faltou movimentação a partir dos 30 minutos.

No final, entrou a estratégia já testada de Felipão: o 4-3-3 com Hernanes no meio e Lucas agudo na direita que nega espaços ao adversário, marcando num 4-1-4-1, e aposta no contra-ataque, mais uma vez bem sucedido no passe de Oscar para a conclusão de Jô. Importante não apenas para segurar o resultado, mas também por ser mais uma opção de jogo.

A Seleção segue o caminho de coletividade e posse de bola:  4 desarmes a mais que o Japão (22×18), 3 deles de Neymar. Como Júlio César revelou após o jogo, todos ocuparam espaço: “fizemos o que Felipão pediu, que era não para marcar, mas para ocupar espaços sem a bola”.

Na frente, os 63% de posse de bola no Brasil se traduziram em apenas 2 conclusões a mais que o Japão (13×11), aproveitamento de 23,07%. Paulinho avançou se juntando aos meias e aparecendo na área para concluir, mas os espaços pequenos pedem mais um organizador como Hernanes.

A posse de bola também precisa ser relativizada: os jogadores que mais tocaram na bola foram os da defesa: 123 toques de Daniel Alves, 92 de Thiago Silva, 80 de Marcelo e 77 de Luiz Gustavo. Os homens de frente estavam marcados, mas a Seleção manteve a posse para se defender – conceito muito usado por Mano Menezes.

Apesar da coletividade, Hulk se destaca sendo responsável pelo setor direito atacando com profundidade e protegendo o lateral quando marca. Supera os pedidos de Lucas fazendo o “vai-e-vem” típico de winger.

É verdade que o Japão errou demais. E também que o meio ficou por vezes desguarnecido. Mas a evolução com Felipão é visível e pode ser melhor ainda.

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