Discurso de Autuori (ainda) não é visível no Vasco

Paulo Autuori encarou o desafio de assumir um Vasco em frangalhos e chamou a responsabilidade da reconstrução com o discurso de modernidade ao criticar clubes e treinadores.

Na apresentação, o técnico deu o tom ao filosofar sobre os atrasos do futebol brasileiro e sobre o 4-2-3-1 “errado” praticado aqui: “Aqui, o 3 é composto por três meias. Não dá. É preciso que dois deles sejam atacantes e o outro um meia, que chega na frente e se aproxima do centroavante.”

Logo depois, cravou que jogaria no 4-4-2, independente de contexto:“vamos jogar no 4-4-2, com dois volantes e dois meias. Esse vai ser o desenho, o modelo de jogo da equipe. Enquanto eu tiver aqui, vai ser esse modelo, dentro de variações que existem: um quadrado, ou diamante, ou losango.”

Mas nos últimos jogos, o discurso foi para o espaço com um híbrido entre 4-2-3-1 e 4-3-1-2 que sacrifica Pedro Ken e apresenta um estranho rodízio para um elenco pouco qualificado.

Contra o Bahia, o 4-2-3-1 vascaíno teve, em teoria, 1 volante e 2 meias na linha: Alisson se aproximava de Edmílson, Carlos Alberto voltava demais para buscar o jogo e Pedro Ken ficava entre marcar Diones, acompanhar Jussandro ou centralizar para armar as jogadas.

Apesar de ter mais posse de bola, o Vasco não conseguiu chegar ao ataque porque não teve infiltração ou um passe de qualidade para Edmílson. Carlos Alberto foi obrigado e recuar para buscar o jogo, mas também não resolveu. Sem ataques pelos lados, sem passe pelo meio e sem chegada de volantes, o Vasco foi inofensivo. Fernandão aproveitou vacilo dos zagueiros e abriu o marcador que só um penalti pra lá de inexistente de Carlos Alberto igualou.

Na segunda etapa, o Vasco fez o mesmo, mas ficou ainda mais lento ao sair para o jogo. Autuori viu e colocou André no lugar do hesitante Dieyson, finalmente armando o 4-2-3-1 com 3 atacantes. Após a expulsão de Diones, Cristovão fechou o meio com Toró e o Vasco continuava tocando a bola sem incomodar Lomba.

Os méritos do Bahia são muitos: desde a chegada de Cristovão Borges o time é disciplinado taticamente, marca com poucos espaços em duas linhas de 4 com Fahel entre elas e ataca no 4-3-3 com tabelas entre os meias e laterais, ou segura a bola na frente com Fernandão, artilheiro da equipe. Se o jogo pede, Cristovão fecha e segura o mais importante para equipes em reconstrução: o resultado.

O Vasco ainda não jogou bem com Autuori e já causa preocupações. Na prancheta, Autuori sempre seguiu a moda, desde o Botafogo em 1995 até o São Paulo de 2005, mas agora precisa quebrar a cabeça para fazer o time jogar bem com salários atrasados e estrutura ainda precária.

Cedo demais para tirar conclusões, mas Autuori precisará mais de trabalho do que frases de efeito para arrumar o Vasco.

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