A importância da estratégia para a Seleção

A vitória contra a França ainda não foi o jogo de brilho que todos esperam e muitos erros, principalmente no primeiro tempo, deixaram a desejar. Mas dessa vez, a vitória veio com atuação satisfatória, domínio e uma importante estratégia no segundo tempo.

Felipão mudou o 4-4-1-1/4-2-3-1 para um bem definido 4-2-3-1 com o trio ofensivo nas regiões de origem: Neymar na esquerda, Hulk na direita e Oscar no meio.

O Brasil manteve a posse e teve domínio, mas o problema esteve na organização do jogo, que passou muito por Marcelo (apoiando por dentro como Júnior) e pouco pela região central. Apesar dos avanços do camisa 6 darem opção de passe, Oscar nitidamente ficou sobrecarregado porque o Brasil novamente atacou com poucos jogadores e Paulinho repetiu o posicionamento muito contido, talvez preocupado com os volantes do 4-1-4-1 da França. Mesmo assim o Brasil marcou a saída de bola francesa, teve com 62% de bola e pelo menos 5 arremates a gol.

A opção pelas laterais não é ruim e aproveita o ímpeto ofensivo de Daniel Alves, que gosta de atuar como ponta, como nos melhores tempos de Barcelona, e de Marcelo, veloz e ótimo no apoio pelo centro. Também empurra Neymar para fazer o “facão” e aproveita Hulk. Atrás, nem Paulinho nem Luis Gustavo cobriram os laterais, não escancarando o meio. Muito semelhante a Cruzeiro e Internacional, que também espetam os laterais.

Mas faltou criação. Poucas chances claras, com bola limpa para Fred aproveitar. Muitos cruzamentos e jogo nulo central. Felipão reconheceu: “O que eu não gostei, em alguns momentos, é que quando enfrentamos equipes que jogam de maneira tão compacta, temos problemas e criamos muito pouco.” (Felipão, na coletiva após o jogo).

Para solucionar o problema, Scolari mudou na segunda etapa: liberou Paulinho para iniciar a saída de bola e participar das ações de ataque. Quando o jogador do Corinthians atua de frente para o gol adversário e com bola dominada, o passe melhora. Como a proposta da Seleção é adiantar as linhas e duplicar nas pontas, o elemento central duplica no meio. Quando aconteceu isso, Luiz Gustavo estava adiantado para roubar a bola que Fred deu para Oscar marcar: movimentação diferente.

Após o gol, entrou a estratégia típica de Scolari: agrupa os jogadores no próprio campo para proteger a área em duas linhas e sai rápido no contra-ataque, geralmente acionando o homem do centro, que começou em Paulinho e terminou em Hernanes. Não é demérito nem vergonha, é estratégia para garantir o resultado. E foi pela estratégia que o Brasil chegou aos dois gols: contra-ataque rápido e certeiro.

O Brasil vai mais calmo para a Copa das Confederações. Não, o Brasil não é o melhor nem favorito. Mas jamais pode ser ignorado nem menosprezado. O caminho está cada vez mais claro e a seleção já tem praticamente um time titular para 2014. Faltam os ajustes e correções para traduzir o domínio de posse em gols e proteger a defesa.

Impossível não lembrar de 2001, quando o estádio do Gremio foi palco da ressurreição brasileira nas Eliminatórias. Se será em 2013, só o fim da Copa das Confederações dirá. Mas agora o Brasil tem cara, time e estratégia de um treinador que, apesar do que dizem, não mostrou estar “ultrapassado”.

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