Posicionamento e intensidade, os desafios de Scolari na Seleção

Mais uma vez a Seleção Brasileira sai de campo não satisfeita com o resultado, mas com avanços no desempenho. Contra a Inglaterra, não faltou domínio de jogo e arremates, mas sim posicionamento correto na defesa e intensidade durante o jogo todo.

Felipão seguiu o que se mostra o melhor caminho: um 4-4-1-1 com liberdade para Neymar encostar em Fred e se movimentar pelas pontas, com Hulk e Oscar pelos lados e a surpresa: Luiz Gustavo e Paulinho de volantes. Para quem achava que o técnico estava ultrapassado, a surpresa com a execução moderna, sem coberturas e com volantes de saída.

Ultrapassada mesmo foi a Inglaterra: totalmente retraída no 4-1-4-1 com Carrick quase alinhado com Jones e Lampard que apenas marcou no primeiro tempo e foi dominada pela movimentação brasileira, principalmente com a boa dobradinha de Hulk e Filipe Luís, a outra grata surpresa dos 11 iniciais.

O Brasil avançou as linhas, marcou pressão e por setor, com organização nos avanços dos laterais, sem deixar espaços quando a Inglaterra atacava. Mas faltou contundência – 18 arremates certos no primeiro tempo, nenhum gol.

Faltou também Paulinho: conhecido pelos avanços em velocidade no Corinthians, o volante se limitou a marcar, mesmo com Luiz Gustavo para proteger seu espaço. Com isso, o Brasil atacava apenas com 5 jogadores e a Inglaterra tinha superioridade numérica, o que atrapalhou nos arremates do Brasil.

Scolari viu e trocou Luiz Gustavo por Hernanes. O jogador da Lazio melhorou o passe do Brasil, lançou para Oscar e Neymar e criou jogadas. Com Marcelo, lateral que apóia mais por dentro, chutou de longe na jogada do gol de Fred. Com Hernanes o Brasil ganha em passe, lançamento e também na defesa – o espaço de campo em que Hernanes atua é típico de um box-to-box, atacando e protegendo um corredor específico.

Apesar do gol, o Brasil cometeu o pecado fatal: perdeu intensidade, recolheu as linhas e se defendeu. E é justamente na defesa que Paulinho, um volante, errou o posicionamento e deixou a defesa exposta no gol de Chamberlain e Rooney.  A imagem mostra como Paulinho (apontado pela seta amarela) sai para marcar e desprotege o seu setor (marcado pelo espaço em amarelo), permitindo a tabela e ultrapassagem no gol do jogador do Arsenal.

E levou a virada em nova falha de posicionamento da defesa e por causa da queda de ritmo depois do gol: pouca velocidade, muito passe longo e nenhuma organização. Erros que Paulinho salvou onde se destaca: na pequena área, em voleio na jogada de Lucas. O 4-3-3 com a entrada de Fernando melhorou a defesa, mas não teve ímpeto ofensivo para tirar a igualdade.

O Brasil terminou com 32 finalizações (11 certas) contra 4 da Inglaterra (todas certas). Acertou 547 passes e teve 65% de posse – números bons para um time que se propõe e trabalhar a bola, principalmente pelos lados (manteve pela esquerda 40% de toda sua posse de bola e 36% pela direita). Mas ainda esbarra em linhas compactas do adversário e na falta de eficiência quando chuta a gol.

No futebol, não existe pré-requisito nem fórmula pronta para a vitória e o desempenho. Tudo depende da execução. A proposta de Scolari é atual, ao contrário do que muitos pensavam, mas falha na execução, principalmente na defesa. Corrigir o setor que é a especialidade do técnico será o desafio da Seleção para a Copa das Confederações.

Anúncios

One thought on “Posicionamento e intensidade, os desafios de Scolari na Seleção

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s