Cruzeiro 1 X 0 Corinthians: organização e persistência

Sistemático no ataque, organizado na defesa e persistente para buscar o resultado: esse é o Cruzeiro de 2013, um time que colhe frutos bem diferentes do ano passado. Cedo para falar em título, mas já é possível imaginar o time chegando lá na frente.

O pênalti que garantiu a liderança do nacional, contra o Corinthians, saiu do modo em que o Celeste mais ataca: pelos lados. O 4-2-3-1 que Marcelo Oliveira armou desde o início do ano libera os laterais ao mesmo tempo para tabelas e cruzamentos procurando Dagoberto e Anselmo Ramon.

A basculação defensiva é pensada para liberar os laterais: Leandro Guerreiro compõe a linha da zaga e Nílton fica na frente. Apesar de parecer um sistema com 3 zagueiros, o setor não é desorganizado, mas sofre com a fase de Dedé – Fábio salvou os chutes de Pato, que ganhou todas do ex-Vasco. A figura mostra como o Cruzeiro se organiza na frente e atrás quando ataca:

Quando perde a bola, o Cruzeiro se recolhe numa espécie de 4-2-2-2: Éverton Ribeiro volta para fechar o meio e libera Dagoberto no lado oposto. Apesar do esquema ser considerado ultrapassado, funciona porque Dagoberto não fica inerte e é atento na retomada de bola. Válvula de escape, é por ele que passa a transição defesa-ataque.

O Corinthians foi a mesma equipe de 2011 e 2012: ocupa por setor, troca passes curtos no ataque e aposta nas tabelas e ultrapassagens. Nesse ano, Emerson é mais acionado e a criação depende mais de arrancadas dele do que a posse de bola. Mesmo com menos posse, o Corinthians teve as melhores chances porque é muito agudo quando ataca.

Marcelo Oliveira percebeu que o Cruzeiro ficou com a bola, mas com Diego Souza apagado não teve o último passe. Tite recuou o Corinthians no 4-4-1-1 e duplicou a marcação nas pontas celestes. A solução foi posicionar Dagoberto e Élber como pontas colados nos laterais do Timão e confundir a marcação de Ralf e Guilherme com intensa movimentação de Luan. Deu certo: lançamento de Luan e vitória pessoal de Élber que gerou o pênalti do agora líder do Brasileirão.

Não há craques no Cruzeiro, se considerarmos que Diego Souza nunca mais foi o mesmo dos tempos de Palmeiras. Mas o elenco é nivelado – ainda que na média – e apresenta opções como Luan, Élber, Lucca e agora Souza, o volante de passe que faltava para solucionar o principal problema do time: a posse inócua quando ataca.

A figura de Marcelo Oliveira, cuja saída foi insistentemente pedida pela Máfia Azul (principal organizada do time), já conquista os torcedores e prova que, com tempo e planejamento, não é preciso de craques e receitas para vencer.

O Brasileirão está apenas na quarta rodada, mas o torcedor  já tem motivos para, dessa vez, aplaudir o Cruzeiro.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s