A redenção de Robben no moderno campeão europeu

Mesmo os mais otimistas jamais imaginariam uma redenção tão linda como a de Arjen Robben no Bayern de Munique. Coisas do futebol.

O Bayern não jogou bem no primeiro tempo porque o bloqueio que Jurgen Klopp armou no Borussia foi muito eficiente: uma linha de 4 jogadores a partir da linha divisória do meio campo, com Reus e Lewa mais à frente. O time amarelo dobrou a marcação na saída de bola do Bayern e dominou os primeiros 30 minutos.

O time vermelho só equilibrou a partida quando mostrou opções: movimentação da trinca de meias para furar a defesa dos amarelos. Foi assim no gol de Madzukic que abriu o placar: Robben foi tabelar com Ribery na esquerda e o camisa 9 apenas empurrou para as redes. Gol de centroavante, mais vivo do que nunca, mas que agora precisa marcar.

Dante fez pênalti e recolocou o Borussia no jogo com gol de Gundogan, que assim como Schweinsteiger é o mais moderno dos volantes: ataca sem deixar buracos e defende protegendo a linha atrás.

No segundo tempo, o Bayern voltou apostando na movimentação constante: Robben foi para o centro e trocava com Muller e Madzukic. Dessa forma, o camisa 10 fez o gol redentor que deu o título e o perdão pelas críticas por ser “pipoqueiro”.

O Borussia não tem motivos para chorar, e sim celebrar o renascimento que é maior exemplo para os clubes brasileiros: gasta apenas o que arrecada, valoriza o torcedor e investe na base. Espetáculo bonito com resultado em campo, tudo administrado por mentes apaixonadas e brilhantes.

O futebol do Bayern é antigo e moderno ao mesmo tempo: coletivo e eficiente, usando das opções do elenco: a cabeçada que foi decisiva contra o Barcelona responde por 5 dos 31 gols marcados na competição, ou o contra-ataque sempre perigoso. Os heat maps (UEFA) da partida mostram: o Bayern usa todo o campo e muito os lados para atacar. Já o Borussia centraliza mais, procurando Gotze e Lewa: é a essência do futebol moderno que se adapta aos jogadores, mais versáteis e resistentes.

A eficiência alemã é antiga: impossível não lembrar da Copa de 1974, quando a força e coletividade da Alemanha Ocidental superou a Laranja Mecânica, o modelo que Guardiola atualizou no Barcelona.

O ex-treinador do Barça chega ao Bayern justamente quando seu modelo foi superado e agora se questiona: implanta o tiki-taka em um time completamente montado e vencedor, ou apenas aperfeiçoa o legado de Jupp?

O sexagenário treinador vira bi-europeu e o quarto a conquistar a Europa por clubes diferentes. Talento indiferente a gerações que aplica a velha máxima: armar o time de acordo com os jogadores que se tem, mas atendendo o futebol praticado em cada época.

Esse é o futebol moderno. Esse é o campeão europeu.

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