Riquelme e linhas de 4: o caminho do troco do Boca

Os erros de arbitragem de Amarilla foram grandes e poderiam ter mudado o resultado. Um pênalti e um impedimento não tão difícil assim prejudicaram o Corinthians, eliminado da Libertadores pelo Boca Juniors.

Mas não escondem os erros de Tite e a apatia que enterraram o sonho do bi corinthiano. Na Bombonera, o Corinthians jogou recuado, sem posse de bola e longe de mostrar o futebol que o levou ao topo mundial.

No Pacaembu, não conseguiu lidar com uma pressão inédita de buscar resultado. Pecou mais uma vez por não marcar pressão, no campo do adversário, e aceitar as linhas do Boca. O 4-2-3-1 não teve intensidade: Danilo, centralizado, não conseguiu acionar meias e laterais e as ultrapassagens em velocidade, marca registrada do time, foram escassas. Sem espaço, a solução foi bola para a individualidade de Emerson, que parou na catimba e nas linhas xeneizes.

Carlos Bianchi armou um 4-4-1-1 compacto e rápido no contra-ataque. Marcou o Corinthians com todos os jogadores, inclusive Blandi, que por vezes voltava para pressionar o lateral. Tudo pensado para liberar Riquelme, vigiado por Ralf, e parar Paulinho, vigiado pelo “carrapato” Erviti. No primeiro tempo, o Boca anulou o Corinthians com e sem a bola. Na chance que teve, Riquelme cruzou e acabou fazendo belo gol que Cássio aceitou.

Tite percebeu e lançou Edenílson e Pato. Mirou na velocidade necessária para criar espaços e desorganizar as linhas, mas errou com o ex-Milan estranhamente a esquerda, fora de seu melhor rendimento, quando fez dupla com Guerrero. O jogador não respondeu e ainda perdeu gol feito.

Sem opções pela implacável marcação do Boca e sem imposição técnica, o Corinthians partiu para o abafa e empatou com Paulinho, avançado quase num 4-1-4-1. Mas faltou organização e brio para uma equipe que aparentou estar acomodada e não tocou a bola. Mesmo com um gol mal anulado, o Corinthians não chegou a ameaçar com grande perigo a meta de Orión. Criou pouco, chutou pouco e marcou pouco. Empate por 1×1 e eliminação consolidada, a 4ª para argentinos em 10 participações.

Mario Gobbi, depois do jogo, declarou: “não perdemos, fizeram-nos perder”. Culpar exclusivamente a arbitragem pelo resultado parece uma tentativa de esconder o péssimo desempenho do time nos 2 jogos contra o clube Xeneize. Tite seguiu o discurso, falou muito da arbitragem e traiu seu próprio critério de reclamar quando adversários falam sobre o apito. Cássio e Ralf deram peso significativo ao abalo emocional de ter que buscar 3 gols aos 26 do primeiro tempo.

O futebol é coletivo e o mais lógico é repartir a culpa. Do mesmo modo que todos foram exaltados no Mundial, devem ser cobrados pela eliminação. Pato foi contratado a peso de ouro e não rendeu nas chances que teve. Alessandro, Fábio Santos, Emerson e Danilo caíram bruscamente de rendimento. E Tite insistiu com Romarinho de titular e manteve Alessandro quando Edenílson pedia passagem.

O clube argentino venceu o duelo do “Pior Boca X Melhor Corinthians” e mais uma vez prova a inutilidade do favoritismo. Junto com Palmeiras e River Plate, elimina o Timão pela segunda vez na Libertadores. Dessa vez com vingança de Riquelme e força de uma camisa tradicional que jamais deve ser subestimada.

O Corinthians decepcionou e em poucos momentos mostrou futebol digno de campeão. Eliminado pelos erros do árbitro e pelo seu próprio desempenho, o clube se foca no Paulista, mas não esconde que o grande objetivo de 2013 era outro, interrompido pelas linhas de Bianchi e pela vingança de Riquelme.

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