Luxemburgo e Libertadores, uma relação sem final feliz

5 títulos do Campeonato Brasileiro, 11 estaduais, 1 Copa do Brasil e um Brasileiro da Série B, em 1989. Passagem pela Seleção Brasileira e Real Madrid.

Sinônimo de títulos na década de 90 e na primeira metade dos anos 2000. Um dos poucos a aliar futebol ofensivo com resultado, sempre com muitas contratações para um “projeto” vencedor.

Esse é Vanderlei Luxemburgo. São muitos títulos. Mas nenhum internacional.

Na Libertadores, participou de 7 edições com 5 clubes diferentes e conseguiu no máximo uma semifinal, em duelo cardíaco com o Grêmio de Mano Menezes. Foram favoritismos que não se concretizaram e falhas em momentos decisivos, a maioria das vezes pelo critério de gol fora de casa.

No Grêmio, teve carta branca para trazer Dida, Barcos, Vargas, André Santos e Cris e montou um um 4-2-3-1 que procurava Barcos e lançava demais para Vargas, mas pecou na defesa com as expulsões de Cris. Estático demais, o Grêmio não deu liga e mudou o esquema, quando o mais lógico seria adaptar o 4-4-2 que deu certo no Brasileirão.

Contra a LDU, o Grêmio sofreu com a inércia em campo e deu vexame contra o Huachipato. Faltou a velocidade que Luxa corrigiu na melhor exibição do torneiro, contra o Fluminense. Mas falhas bobas e um recuo inexplicável, mesmo em casa contra o Fluminense, minaram o desempenho do time, cruelmente castigado pelo gol no fim e pelo regulamento. A opção por Elano como “secretário” de Pará e a péssima fase de Barcos colaboraram para a derrota.

Como explicar o insucesso internacional de um dos maiores treinadores brasileiros de todos os tempos? Um resgate tático pode apontar os erros e acertos do treinador ao longo do tempo.

Revelação após o título Paulista e o vice no Brasileirão em 1990, Luxemburgo chegou ao Flamengo, time que já se declarou torcedor, para montar a base e aproveitar o veterano Júnior como meia. O 4-3-3 com os jovens Zinho, Paulo Nunes e Marcelinho Carioca entusiasmou pela campanha com 3 vitórias e 3 empates na fase de grupos e venceu o jogo de ida na base da cabeçada de Gaúcho, a jogada forte do time. O time não suportou a pressão da Bombonera, recuou demais  e sofreu o último dos 3 gols xeneizes no contra-ataque, quando tardiamente ia buscar o resultado.

“Temos que jogar com o regulamento. Agora vamos ver como tiramos proveito dessa vantagem” (Luxemburgo, em entrevista no vestiário após a vitória sobre o Boca Juniors)

Luxa sairia do Fla para perambular por Guarani e Ponte Preta até chegar no histórico Palmeiras de 1993, onde arrumou a equipe deixada por Otacílio Gonçalves. No ano seguinte, a Libertadores parecia próxima, mas Zetti e as trapalhadas da direção palmeirense acabaram com o time. O 4-3-3 era ofensivo e apresentava alguns dinamismos: Evair recuava com a bola, armando o jogo para as entradas de Edmundo e Edílson ou tabelando com Zinho. Saída de bola correta com César Sampaio e muito jogo pelos lados, principalmente na esquerda com Roberto Carlos.

O confronto de ida foi totalmente dominado pelo Palmeiras, mas Zetti pegou tudo e um pouco mais. As duas melhores equipes do país à época cederiam muitos jogadores para a Copa do Mundo de 1994, e como o confronto de volta seria só depois da Copa, a diretoria alviverde resolveu marcar 12 amistosos para arrecadar dinheiro, mas que cansaram demais o time. 2 dias antes, o Palmeiras empatou com o Santos pela extinta Copa Bandeirantes e não teve fôlego para segurar os contra-ataques de Euller e Palhinha que deixaram o São Paulo vivo na competição.

Luxa só disputaria uma Libertadores 10 anos depois, novamente sem sucesso. Após uma temporada perfeita em 2003, apostou na contratação de Rivaldo e Guilherme para fazer a dupla de ataque do Cruzeiro, no 4-3-1-2 que manteve a base do ano anterior, mas que em nenhum momento jogou bem. Luxa saiu após 3 jogos e foi parar no Santos, onde declarou na coletiva de apresentação:

“Meu sonho agora é conquistar um Mundial Interclubes”

Mas não deu. Luxa pegou o time em frangalhos, corrigiu a exposta defesa resgatando Paulo Almeida e posicionou Elano mais recuado do que com Leão. A nova postura, mais equilibrada no 4-3-1-2 que tanto gosta, parou na altitude e numa cobrança de falta do Once Caldas que sepultou o agora assumido sonho do técnico.

E o sonho da Libertadores voltaria a ficar mais forte no mesmo Santos, em 2007. Bi-paulista e bem no nacional, Luxa armou um  móvel 4-2-2-2, que se transformava em 3-5-2 ou até em 4-3-1-2 com Cléber Santana voltando como volante e muita velocidade pelos lados. Com Zé Roberto em grande fase, Luxemburgo parecia mais perto da Libertadores, já que soube segurar o resultado contra Caracas e America. Mas no tenso duelo contra o Grêmio, falhas decisivas de Adaílton e Ávalos e um gol gremista na Vila foram decisivos para acabar com a melhor Libertadores de Luxa: 11 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota.

As pessoas me criticam por eu nunca ter conquistado uma Libertadores. Mas isso não me machuca. Dizem que para se vencer Libertadores tem de dar pontapé, praticar anti-jogo. Eu prefiro buscar esse título jogando futebol envolvente e bonito, como todas as minhas equipes têm demonstrado” (resposta dada a jornalistas após a eliminação do Santos na Libertadores de 2007).

De volta ao Palmeiras e com um grande investidor, a Traffic, Luxa apostou nas suas contratações para consolidar o 3-5-2 do segundo turno em 2008, mas bem mais cauteloso. Forçando pela esquerda com Armero e apostando na saída de bola de Cleiton Xavier, como volante, para acionar Keirrison e Diego Souza na frente, o Palmeiras pecava pela falta de organização e pelos espaços que os lentos zagueiros não conseguiam fechar. Luxemburgo podia lançar Souza no lugar de Willians e puxar o time mais para trás, num 3-4-2-1.

Capixaba, Marcão e Jumar foram alguns dos questionáveis nomes que o técnico trouxe. O esquema com 3 zagueiros não decolou e o Palmeiras estava praticamente eliminado quando Cleiton Xavier acertou golaço no fim do duelo contra o Colo Colo que colocou o time nas oitavas. Apesar da santidade ressurgida de Marcos contra o Sport, os problemas continuaram e um nervoso Palmeiras levou 1×1 do Nacional no Palestra e não teve forças para quebrar o 0X0 no Uruguai que o tirou da competição.

No Flamengo, participou apenas da pré-fase e foi demitido pela bagunça política do clube e pelos problemas com Ronaldinho que a estranha escolha por Joel Santana não iria solucionar. E agora no Grêmio, repete erros do passado e amarga sua 6° eliminação, levando em conta que foi demitido do Cruzeiro e do Flamengo quando ainda estava na competição.

Porquê Luxemburgo nunca ganhou uma Libertadores?

Uma mistura de muita cautela fora de casa, como em 1991, 2009 e 2013 podem explicar. Ou também os erros bobos de 2007 e 2004. Faltou um algo a mais, talvez uma motivação para competições desse porte, ou uma união com o elenco, mais ao estilo paizão. Ou uma postura tática equilibrada para buscar o gol fora de casa.

A Libertadores acabou para o Grêmio esse ano, que deve passar por uma reformulação pelos altíssimos gastos que não se traduziram em resultados. Reformulação que pode respingar na demissão do técnico.

Vanderlei Luxemburgo na Libertadores, até agora, não teve um final feliz.

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