As variações do campeão gaúcho Internacional

“Inter é como a seleção: tu não treina quando quer, treina quando é convocado.”

Foi assim que Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, aceitou o desafio de dar retorno pelos altos investimentos no Internacional e reverter a crise que assolou o clube em 2012. Credenciado pelos feitos no passado (foi dele o gol contra o Palmeiras que salvou o clube do rebaixamento em 1999), Dunga ganha seu primeiro título como técnico de clubes com interessantes variações e campanha irretocável: 14 vitórias, 5 empates e apenas 2 derrotas, sendo uma com reservas.

Dunga inovou com longa pré-temporada e aprimorou a base tática: um 4-3-1-2 com Fred alternando entre meia e volante e sintonia entre Damião e Forlán. Ofensivo, o ataque marcou 20 gols na Taça Piratini, incluindo a goleada de 5×0 sobre o São Luiz, na cidade natal de Dunga, Ijuí. Com laterais “espetados” no campo de ataque e muitas vezes se defendendo num 4-2-3-1 com D´Ale partindo na direita e Fred na região central, o Inter sobrou com 4 vitórias, 3 empates e apenas uma derrota, com os reservas, para o Lajeadense.

Na Taça Farroupilha, efetivou Willians e Airton, recuperados fisicamente, e apostou na categoria de D’Alessandro para puxar a armação do time. Com Fred pela esquerda, cada vez mais como meia e laterais bem agudos no apoio, o Inter perdeu apenas uma vez, para o Veranópolis de Julinho Camargo, e sobrou com 8 vitórias em 10 jogos, melhor ataque com 17 gols a e melhor defesa, mostrando o equilíbrio que já é marcante do Inter de Dunga.

Na contramão do 4-2-3-1, esquema mais usado atualmente, a variação para o 4-2-2-2 brasileiro é a mais presente: Fred alinha com D’Alessandro, Damião e Forlán ficam na área e a jogada inicia com um lateral ou com Willians. O garoto revelado na base colorada transita com naturalidade entre volante e meia e é um dos destaques da campanha estadual. Na imagem, o Inter ataca no esquema típico dos anos 1990: Fred e D’Ale alinhados pelo meio, Damião e Forlán na área e um lateral, no caso Gabriel, apoiando pelo lado da jogada:

Também chama a atenção o comportamento dos laterais: agudos, apoiam ao mesmo tempo e criam opções de virada de jogo pelos lados quando o Inter ataca. Durante o jogo contra o Juventude, por várias vezes Fabrício e Gabriel alinharam com Fred e D’Alessandro, entrando na área e cruzando para Damião. Essa foi uma característica marcante do Internacional em todo o estadual, para aproveitar o ímpeto ofensivo dos dois jogadores. Willians por vezes cobria Gabriel, enquanto que Airton ficava imediatamente à frente da zaga. Na imagem, Fabrício e Gabriel estão no ataque quando o Inter perde a bola, apontados pelas setas:

Apesar do título estadual com apenas 2 derrotas, 37 gols marcados e apenas 11 sofridos em 21 jogos, o Internacional passará por testes mais fortes na Copa do Brasil e no início do Brasileiro, o que colocará o elenco colorado a prova ainda no primeiro semestre. Reforços são necessários, principalmente na armação, já que sem D’Alessandro o Inter sofre para chegar na área adversária. Apesar das ressalvas, o trabalho de Dunga é positivo e o técnico caminha para fazer as pazes com os brasileiros, dessa vez demonstrando seu valor onde foi acolhido com carinho: em sua casa.

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