Bayern massacra Barcelona e ensina um novo velho modelo.

Desde 2008, o Barcelona se transformou num modelo a ser seguido pelo futebol mundial. Um modelo inovador em sua aplicação, não na filosofia, que segue o que foi feito na Laranja Mecânica de 1974. Foi o time a ser batido por 5 anos, onde teve mais posse de bola em todos os jogos.

O Barcelona ensinou ao futebol brasileiro ao aplicar 4X0 no Santos, pela final do Mundial. Mas a derrota para o retrancado Chelsea em 2012 e a saída de Guardiola contribuíram para a decadência do time, que ainda tem a bola na maior parte do jogo, mas não com a mesma objetividade e velocidade de passe de antes. Natural, já que os adversários se fecharam ainda mais.

Hoje, pelo mesmo placar de 4×0, uma nova era parece começar e refuta várias características do Barcelona, além de glorificar outras. O Bayern Munich ensinou como jogar no esquema da moda, o 4-2-3-1, e mostrou que a divisão entre criadores e marcadores não necessariamente acaba, mas sim exige novos fundamentos para cada posição.

Primeiro tempo de execução perfeita do 4-2-3-1 do Bayern que travou o 4-3-3 do Barcelona: volantes bem posicionados e desarmando mais que atacando, mas com saída correta, embora nenhum tenha chegado a frente. Meias que prendem a bola para ultrapassagem dos laterais, compactação sem a bola travando a saída adversária e dois métodos de ataque: saída rápida ou troca de passes objetivos e de média distancia. Já o Barcelona foi travado, apesar de manter a posse de bola. Não chegou ao ataque e teve apenas 3 passes na área adversária, dos 420 trocados na primeira etapa.

Barcelona e Bayern

O Bayern marcando é o que se pode aprender para o futebol brasileiro e o que o Corinthians já executa com perfeição: marca a saída de bola e compacta o time. Isso causa um efeito dominó de deixar o adversário sem saída de bola. Bola retomada, a velocidade entra para superar a marcação e os espaços curtos. Ou com a bola, troca de passes objetiva para superar a defesa do time adversário que se monta. Na figura, o Bayern retraído e marcando a saída adversária, todo em seu campo.

bayern marcando a saída

O Barcelona possui um modelo único de posse de bola. Mas não defende bem quando não está com ela e não tem opções de passe, já que a movimentação dos jogadores é pequena: o Barcelona é um time de passe. O jogo é a troca de passes, não o toque de bola imortalizado pelo Brasil de 1970, o toca e se movimenta. No Barcelona não é preciso correr, porque o time já está no campo adversário, perto do gol. Na imagem, o jogador do Barcelona tem apenas 3 opções de passe, enquanto que o Bayern fecha a sua defesa com 8 jogadores.

Barcelona

Em época de muitas críticas ao futebol brasileiro, o Bayern ensina um modelo mais fácil de ser aplicado do que o Barcelona: máxima eficiência com a posse de bola no ataque e sem ela na defesa.  O que o Barcelona mostrou continua valendo. Mas pode ser aperfeiçoado como o Bayern mostrou. Messi, Fábregas e Villa são excepcionais jogadores e o time catalão ainda aparecerá na lista de melhores por muito tempo. Mas hoje, sua lição foi atualizada.

Ter a bola não deve ser confundido com superioridade. Hoje, o Barcelona teve 64% de posse de bola e apenas 4 finalizações a gol. Já o Bayern chutou 14 vezes a gol. Esses dados levantam levantam dúvidas tão profundas como aquelas do massacre levado pelo Santos, em 2011: ter mais posse de bola significa marcar melhor? Trocar mais passes significa fazer gol? A resposta dada pelo Bayern é: não necessariamente. O trabalho coletivo iniciado pelo centroavante que continua centroavante, mas agora exige um novo fundamento, o de cercar zagueiros e volantes, é fundamental.

As fortes declarações de Luiz Felipe Scolari essa semana talvez foram mal entendidas. O “volante goleador” não precisa ser um meio-campista completo como Xavi e Iniesta. E nem fazer gols. Mas precisa ter novos fundamentos, como o passe correto e a visão de jogo. O Corinthians apresenta futebol coletivo e tem Ralf, um volante defensivo que não faz gols. No Bayern, Luiz Gustavo não maltrata a bola como os brucutus, mas também não é exímio passador como Xavi. A importância não está nos gols ou nas jogadas que volantes criam, mas sim em sua participação no jogo, com ou sem a bola.

A procura pela versatilidade dos jogadores, iniciada com o vistoso futebol de Xavi e Iniesta, que só jogam no Barcelona e não possuem posição, é válida e fundamental. Mas não é exigência como se pareceu pregar. A questão mora nas novas habilidades e domínio de fundamentos que volantes, meias, atacantes e laterais precisam ter, e não em jogadores que podem ser tudo e acabam não sendo nada. O problema no futebol brasileiro está na base e na formação de jogadores que canalizem o talento nato e pentacampeão com visão e obediência tática.

O futebol moderno é essencialmente coletivo: exige volantes que saibam marcar e não necessariamente saibam fazer gols, mas sim passar corretamente a bola e ter visão de jogo. Exige preparação física afiada, aspecto fundamental que o Bayern apresentou, já que em em nenhum momento ficou cansado como o Barcelona. Jogadores precisam alias velocidade e toque de bola com cadência e visão de campo. Todos precisam participar com e sem a bola, mas ainda sim guardar função e posicionamento. Na prática, aquilo que a Seleção Brasileira de 1970, talvez o melhor time de todos os tempos, ensinou. Sem esquecer que autoconfiança, atitude, raça e determinação são receitas velhas, mas ainda fundamentais para o futebol. Com ou sem posse. Com volantes pegadores ou não.

Ao que tudo indica, o mundo assiste uma nova aula e o Barcelona passa o bastão de melhor futebol do mundo ao Bayern Munich.

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