Cris, os 11 dias do Flu e as estratégias de Luxa e Abelão.

Ambos os times tinham plenas condições de fazer um resultado positivo: o Grêmio poderia saltar na liderança e consolidar uma campanha ainda marcada por altos e baixos, enquanto que o Flu poderia convencer pela primeira vez em 2013. E os personagens do tenso empate em Porto Alegre, pela penúltima rodada de grupos na Taça Libertadores, numa Arena sem avalanche da Geral, não foi de todo mal para ambos os times.

Primeiro por conta dos desfalques. O Grêmio vinha sem Elano, motor do time suspenso e machucado. E o Flu sem seus destaques: o sempre não presente Deco, Fred e Wellington Nem. Teoricamente, lançar Michael e Rhayner não mudava a estrutura tática do Flu, e a substituição de Elano por Marco Antonio no Grêmio também não modificava o 4-4-2 híbrido de Luxemburgo.

Mas assim o jogo começou e as estratégias dos grandes treinadores se mostraram. A começar pelo Grêmio: o 4-4-2 foi mantido, mas logo se tornava 4-2-3-1 com Vargas voltando principalmente pela esquerda e Barcos recuando para armar o time. Luxa recuou suas linhas, deixava o Flu tocar e esperava um lançamento de André Santos para Vargas ou algum pivo de Barcos, mas sem sucesso.

O Grêmio pouco jogou pela postura do Fluminense: Abel viu os problemas do time, usou os 11 dias sem jogos para trabalhar compactação e jogadas de defesa e mandou a campo o Tricolor em duas linhas de 4 muito próximas entre si, um 4-4-2 com Sóbis e Wágner se revezando no ataque e na meia-esquerda a partir dos 30 minutos. O Flu jogou com calma, procurando os espaços negados pelo Grêmio e usando da velocidade de Rhayner e do drible de Sóbis.

Gremio e Flu

O primeiro tempo foi “de um campo só”: o Fluminense estava tão junto em que ocupava apenas metade de todo o gramado, enquanto que o Grêmio ainda apresentava alguns espaços entre as linhas. Apesar disso, a primeira etapa foi truncada e exigiu dos goleiros em apenas dois lances, um para cada lado. O jogo travado no meio campo se fez por conta da pouca inspiração de Jean e Wagner, teoricamente os criadores e passadores do Flu, e de Zé Roberto, correto mas bem marcado por Edinho, e da partida apagada de Marco Antonio.

Até que Cris, em lance irresponsável (e com um pouco de malandragem de Sóbis) levou vermelho direto, com justiça. Luxa viu bem: o Grêmio perdia sempre o meio-campo pela proximidade entre os jogadores do Flu. Com isso, o time precisava segurar a bola na frente para a chegada de Zé Roberto ou de André Santos. Lançou Kléber, especialista em prender a bola entre os zagueiros, no lugar de Vargas e deu totalmente o meio para o Flu, apostando em um contra-golpe ou num pivo.

Abel respondeu posicionando Sóbis na esquerda e Wagner como meia, além de prender Rhayner para conter os avanços de André Santos. Com uma avenida gremista pela direita, Abel soltou o ofensivo Carlinhos para fazer companhia a Sóbis. Foi dali que nasceram as melhores chances, como no cruzamento para cabeçada de Rhayner, gol anulado pela arbitragem. O Flu trocava muitos passes, mas com poucas chances de perigo: falta finalização e o fator Fred para o Tricolor das Laranjeiras.

Gremio e Flu 2

Luxemburgo corrigiu sua estratégia com Adriano no lugar de Barcos e posicionou o time com 2 linhas de 4, espelhando o esquema do Flu e acertando na marcação. Para preservar Zé Roberto, Luxa o deixou entre Edinho e Leandro Euzébio, avançado quase como um volante. A partir daí, o Grêmio chegou com perigo em algumas vezes, como no passe perfeito de Kléber para Zé Roberto e no chute de Fernando.

Abel respondeu tirando o cansado Sóbis e o amarelado Rhayner para a entrada de Monzón e Felipe. Carlinhos e o ex-Vasco atuaram como pontas bem abertos, mas são jogadores de velocidade (Carlinhos) e passe (Felipe), não de drible, e não conseguiram furar a retranca gremista. Talvez Abel tenha pensado em ganhar velocidade para cima de Pará e prender André Santos, mas com o Fluminense compacto e todo no campo do Grêmio, uma opção de drible poderia ser mais eficiente.

Gremio e Flu 3

Os erros e acertos de Luxa e Abelão, o lance capital de Cris e os 11 dias de treino do Flu podem indicar um caminho para o futuro dos clubes na competição nesse maluco grupo, em que visitantes perdem e todos os times tem chances não apenas de se classificar, mas de serem líderes.

Se manter compacto é essencial ao Flu, mas é preciso definição. E cabe a Luxemburgo resgatar seus melhores dias, quando fazia um plantel de craques virar um time – o que ainda não aconteceu em 2013. A última rodada promete ser eletrizante.

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