Tite muda o Corinthians para conseguir ainda mais

A história do Corinthians campeão da Libertadores e do Mundo em 2012 passa por uma palavra: tática. Foi o Corinthians um dos primeiros times no Brasil a ser reconhecido como um 4-2-3-1 de fato, tanto por torcedores leigos no assunto como pela imprensa. A motivação natural de informar corretamente sobre o time mais midiático do Brasil colaborou, mas o grande trabalho de Tite é fundamental nessa conquista.

Curiosamente, o time que “inventou” o 4-2-3-1 para a imprensa não usa mais o esquema como principal. Com os reforços de Renato Augusto, Gil e Pato, hoje titulares, o Corinthians joga num 4-4-2, mas que de brasileiro não tem nada: é o 4-4-2 britânico, em linha, com interessante variação para um ofensivo 4-1-3-2. É o Corinthians da esperteza de Tite, que sabe que seu time já foi manjado, estudado e os marcadores estão afiados para cobrir os avanços dos laterais, o cuidado na troca de passes e não desguarnecer a retaguarda com o “velho” time.

Aquele Corinthians da Libertadores jogou quase num 4-6-0: Alex e Danilo se alternavam na referência e o time todo voltava para marcar, deixando os zagueiros adversários livres. Desde 2011, na campanha do Brasileirão, o Corinthians  é um time compacto: na defesa, encurtando espaços, ou no ataque, com jogadores próximos entre si. Porém, o Corinthians nunca foi um time que se lança ao jogo. Muricy Ramalho, após o Santos vencer o Corinthians por 3X2, tentou explicar o adversário em frase já famosa no meio da análise:

Eles nunca saem para ganhar o jogo, saem para jogar no erro do adversário, sempre. A proposta do Corinthians é essa, é atrás da bola, dá campo para o adversário jogar e quando você erra, toma o contra-ataque. A gente estava errando muito na saída de bola.

Muricy estava errado. O Corinthians não joga no erro do adversário, frequentemente tem mais posse de bola e mais chutes a gol do que os adversários – isso desde 2011, quando o estilo do time foi afirmado. Porém, a declaração não é de todo mal: as palavras de Muricy foram mal compreendidas. O técnico do Santos se embolou ao afirmar que o Corinthians dá campo ao adversário, mas acertou quando disse que os gols foram de saída de bolas erradas.

O Corinthians de 2011 e 2012 era compacto no seu campo ou no campo do adversário, sempre no 4-2-3-1. Propunha jogo com troca de passes entre zagueiros, laterais e volantes para dar a saída, mas o time todo estava já adiantado, para ficar mais próximo ao gol. No ataque, a chegada de Paulinho era fundamental, ou a cabeçada de Liédson ou Danilo, mas não havia um jogador de passe cadenciado, mesmo porque o Corinthians não enfrentava times com medo ou encolhidos. Havia espaço. Quando levava pressão ou era atacado com muitos jogadores, se encolhia no próprio campo, à espera de um rebote, de um passe errado e para matar o jogo na saída rápida – característica histórica do Corinthians.

O melhor jogo do time em 2011, contra o Internacional no Pacaembu, mostra um Corinthians intenso, sempre muito junto, rápido e propondo jogo, assim como jogando no erro do adversário.

O gol de Emerson Sheik contra o Boca, na final da Taça Libertadores, mostra o Corinthians no seu campo, compacto e encurtando espaços, e saindo rápido num passe errado do Boca.

Jogar assim não é jogar na retranca. É jogar de forma sempre muito compacta, exigindo jogadores que saibam marcar e encurtar espaços, mas que também podem atacar. “O Corinthians atacava melhor sem a bola e se defendia melhor com ela” – frase que define bem, mas que não significa o que Muricy falou.

Um time que foi do inferno ao topo do mundo em 2 anos é estudado, mais marcado. Um time que é campeão de tudo passa a ser mais visado, ou seja, todos querem ganhar. Por isso, os jogadores entram mais atentos, mais dispostos a tirar os espaços de Danilo, Guerrero e cia, e a forçar o erro. Hoje, não há mais espaço para o Corinthians jogar. E Tite sabe disso. Por isso mudou a forma de jogar e o esquema do Campeão do Mundo. Hoje o Corinthians se propõe a criar com bola no pé e com jogadores específicos.

O time inicia um passe mais arriscado, da defesa até o ataque, e volta menos para marcar. Com menos espaço,  é preciso movimentação e passe para conseguir criar jogadas. E com Danilo e Renato Augusto invertendo, combinando com laterais e tendo a presença de Paulinho como meia central, na variação constante para o 4-1-3-2, o Corinthians envolve o adversário com menos velocidade do que 2011, mas com passe mais cadenciado e arriscado. Contra times mais fechados é preciso mais presença de área, por isso Tite colocou Pato para formar o 4-4-2 britânico, e agora Ralf também avança para atacar mais.  A retaguarda corinthiana ficou mais desprotegida, tanto que no Paulistão o time ainda não decolou e na Libertadores já levou 2 gols. Mas no ataque o time está bem melhor e marca mais gols.

A pinta de favorito pode pesar contra, que jogou bem contra o Tijuana, mas não convenceu no Paulista. Porém, a inteligência de Tite e o ambiente calmo podem ser decisivos para o Corinthians conseguir ainda mais sob seu comando.

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