Os problemas do apagado Flu de 2013

“Crescendo na competição, o Flu ganhava, mesmo jogando mal, e tinha em Cavallieri seu ponto forte, com defesas milagrosas. No FlaXFlu centenário, brilhou a estrela do ex-palmeirense para garantir mais uma vitória suada do Flu.”

“Pragmático, recuado, buscando o momento certo do gol, o Fluminense foi construindo sua caminhada ao título de forma paciente, pensando no próximo adversário”

“Abel ganhava o meio com três volantes e sempre procurava a velocidade de Nem pelos lados.”

“Os méritos de Abel são muitos: manteve a base no ano todo, apostou no entrosamento da dupla de zaga…”

Trechos extraídos de paineltatico.com/2012/11/12/cronologia-tatica-do-fluminense-campeao-brasileiro-de-2012/

Logo após o emocionante Brasilerão de 2012, ganho com méritos pelo Fluminense, o blogueiro já apontava alguns dos principais pontos fracos que agora estão latentes no decadente time. Contra o Huachipato, dominou mas apresentou lentidão e pouca movimentação. Empate com sabor de derrota e que põe em risco a vaga para a próxima fase da Libertadores.

É impossível não dar a tão temida “fase ruim” uma parcela de culpa pelo momento do Flu. Sendo racional como a análise tática é, a falta de concentração de Gum e Euzébio, jogadores outrora seguros, mas nunca inquestionáveis, pode explicar as constantes falhas. Mas também tem papel fundamental os desempenhos de Carlinhos, Bruno e Edinho, que ano passado protegiam mais a zaga que nunca foi de qualidade técnica. E do time todo que hoje está menos marcador e mais no campo do adversário. A explicação é mais uma vez racional: o Fluminense marca menos porque não precisa marcar tanto assim.

A explicação fica evidente quando se tem em mente que a principal arma do Flu em 2012 era a velocidade de Nem e Carlinhos para os gols decisivos de Fred, ou a variação tática de Thiago Neves. O Fluminense, dentro do 4-3-2-1/4-3-3 e 4-3-1-2 usado ano passado, jogava melhor quando estava sem a bola. Isso não quer dizer que o Fluminense apenas jogava sem a bola, mas seus jogadores se saíam melhor em velocidade, como é o caso de Nem, Bruno, Carlinhos e Jean. Hoje o Fluminense é obrigado a se jogar no campo do adversário e pensar jogadas e tabelas. Não é o forte do time, que desprotege a zaga quando faz isso.

Atualmente, o adversário das Laranjeiras já sabe disso é dá a bola ao Flu, mas marca muito bem Deco, o pensador de jogadas, e dobra a marcação sobre Nem, que fica impedido de fazer a diagonal. Sem bolas, Neves e Fred ficam estáticos, Jean não consegue criar e Carlinhos não avança. Com o natural relaxamento de um time campeão, o Flu não se movimenta e se torna previsível e apagado, como no campinho abaixo, onde aparece totalmente marcado.

Flu no ataque

Solução? Mudar as peças pode não se ela. Nem o esquema. Sua execução deve sim ser melhor pensada, com movimentação e inversão dos ponteiros – o Grêmio faz bem isso, invertendo Zé Roberto e Elano por diversas vezes – ,compactação para proteger uma defesa fraca e apostar em alternativas, talvez aproveitando o pivô de Fred, ou com Sóbis indo para a área. Como a euforia pelo Brasileirão de 2012 foi grande, não deu tempo para torcida, imprensa e dirigentes perceberem que o Flu cometera um erro muito comum no futebol brasileiro: ser campeão em um ano e não reforçar o time no próximo. Todos os times do G-4 de 2012 se reforçaram com novos titulares e ficaram mais competitivos. Menos o Flu. Agora Abelão terá pouco tempo e muito trabalho para mudar a situação. Pode ser tarde demais.

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