Surpresa no Paulistão é fruto de longo trabalho

O delicioso Campeonato Paulista é dominado pelos 4 grandes, mas o futebol do estado sempre reserva grandes surpresas e timaços que vez ou outra conquistam o Brasil. É o caso do Paulista e do Santo André, na Copa do Brasil, e do São Caetano, finalista de Libertadores. O tradicional Guarani foi além: é o único time do interior a ganhar o Campeonato Brasileiro, em 1978, sob comando do então novato Carlos Alberto Silva. No Estadual, duas surpresas nos últimos anos: o envolvente Santo André de 2010 e o ajustado Guarani de 2012. Em 2013, o futebol forte do interior é da Ponte Preta, que chega forte entre os 8 e já é favorita às quartas de finais.

É muito difícil definir o começo e o fim de um time. Mas pode-se dizer que essa Ponte Preta, que eliminou o poderoso Corinthians da Libertadores e não fez feio no Brasileirão de 2012, teve início ainda em 2010, com o então desconhecido Gilson Kleina. Ele chegou após boa campanha no Duque de Caxias, para substituir o iniciante Jorginho. Em 2003, Kleina foi o auxiliar de Abel Braga, salvador do time naquele ano. Não conseguiu o G-4, mas iniciou um trabalho de união do elenco, boa opção tática e forte contra-ataque que teve frutos em 2011. Já no 4-2-3-1, fez partida perfeita ao vencer o São Paulo no próprio Morumbi, e deu muito trabalho ao Santos nas quartas-de-final. Voou na Série B e conseguiu o acesso.

Em 2012, novos nomes, mesma proposta. Com Renato Cajá na criação, Roger fazendo muitos gols e Cicinho voando pela direita, a Macaca executou perfeitamente seu plano de jogo nas quartas de finais contra o Corinthians, em pleno Pacaembu. Kleina optou por Cicinho na linha de meias, fortalecendo a marcação e puxando contra-ataque. Os vídeos da partida mostram: a Ponte Preta acabou com a linha de passe e as ultrapassagens do Corinthians. Foi o único time a parar o futuro campeão da Libertadores no primeiro semestre de 2012. O nó-tático de Kleina foi fundamental para que assumisse o Palmeiras após alguns meses.

ponte-preta-1

Guto Ferreira, técnico de base por muitos anos e com passagem frustrada pelo Internacional, foi o escolhido para o lugar do agora ídolo Kleina. Tinha feito bom trabalho no Moji-Mirim e pouco mudou a Ponte, que se salvou do rebaixamento e conquistou muitos pontos dentro do Moises Lucarelli em 2012. Natural que o ajustado time sofresse o tão temido desmanche, o que aconteceu: Guilherme e Renê Jr. reforçaram Corinthians e Santos, enquanto que Roger não chegou a um acordo para renovação. Coube a direção um bem executado trabalho de inteligência e reposição: Ramiréz, Artur, Chiquinho, William “Batoré” e Wellington Bruno, reservas em times grandes, desembarcaram na Macaca e agora fazem bom trabalho. Com a jóia Cicinho definitivamente como meia, Guto manteve o 4-2-3-1 de forte marcação e contra-ataque letal. Ramiréz marca e cria pelo centro, enquanto que Cicinho e Chiquinho fazem a diagonal ou avançam em velocidade. Quando enfrenta retranca, a cabeçada de Ferrón ou Artur funciona. Time ajustado, comprometido, invicto em 2013 e vice-líder do Paulistão, e que ainda ganhou uma cereja no bolo: afundou o Guarani em crise após vencer por 3X1, no Dérbi 190.

Ponte-2

A Ponte Preta, o mais antigo time do Brasil, prova que nem sempre muito dinheiro e contratações badaladas fazem um time vencedor. Comprometimento, união, observação e inteligência são atributos que não se compram e podem formar times vencedores. Que o exemplo da Macaca sirva aos ricos e cambaleantes Manchester City e PSG.

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