A ave anacrônica, por Raul Chiliani

Elegância, visão de jogo e genialidade: Paulo Henrique Ganso tem mesmo características que lembram os “meias antigos”, até na perna canhota. Tão antigo que hoje em dia é anacrônico. Lento e letárgico, é do tipo de jogador que necessita de compensações e de um esquema que não comprometa o resto do time. Não é o que  Ney Franco planejou, nem segue o padrão do “futebol moderno”.

No 4-2-3-1, o esquema mais moderno e usado no futebol, é preciso um trio de meias que sejam versáteis, que se movimentem, alternem posições e participem efetivamente da criação de jogadas, sem deixar de lado a solidez e marcação durante a fase defensiva. Ganso vai contra a tendência, pois não é versátil e não contribui com a marcação, além de se movimentar pouco. “Engessa” o esquema, não é participativo e sobrecarrega outros setores.

Ney Franco percebeu e agiu. No jogo contra o Bolívar, na pré-Libertadores, Jádson jogou centralizado e Aloísio acelerou pela direita.  Movimentação constante no quarteto ofensivo e uma goleada que deixa o Tricolor praticamente na fase de grupos da Libertadores. A fraqueza do time adversário não apaga a boa atuação de um quarteto ofensivo que mantém as características do campeão da Sulamericana: intensidade, drible e velocidade.

No jogo seguinte, contra o Atlético de Sorocaba, Ney Franco escalou o time reserva para uma espécia de amistoso de luxo. Manteve o 4-2-3-1 com Maicon e Casemiro na volância, Canete pelo lado esquerdo, Aloisio e Ademilson alternando entre referência e lado direito e Ganso centralizado. O que vimos foi Cañete extremamente participativo e Ganso totalmente apático. Sua primeira participação no jogo foi aos 9 minutos, apenas alguns toques laterais e um raro gol de cabeça. Ganso não foi intenso como o restante do time. Sua letargia fez com que a transição defesa-ataque fosse lentíssima, quase nula, além de obrigar Cañete a centralizar para armar o jogo. Mesmo quando o argentino procurou acelerar o jogo com tabelas rápidas, Ganso não estava lá. Cañete foi o destaque do jogo, com um golaço de fora da área e briga confirmada na direita do trio de meias de Ney Franco.

gansoo

Quanto a Ganso, fica a impressão de cada vez mais é um “reserva de luxo” e um peixe fora d´água no futebol moderno. Se não se reinventar, ser mais enérgico e vivo em campo, a contratação mais cara da história do São Paulo pode virar uma grande decepção.

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3 thoughts on “A ave anacrônica, por Raul Chiliani

  1. Pingback: Reflexão: o surgimento dos “híbridos” no 4-2-3-1 « Painel Tático

  2. Nossa, quanta abordagem. Sim, com relação a Ganso, é bem difícil coloca-lo no 11 inicial hoje. Oscar é mais participativo que o ex santista, e até por isso está na seleção, onde Ganso segue distante.
    Eu queria ver Ganso jogando mais recuado num 4-3-3 por exemplo, numa trinca, estilo Iniesta. Mas pelo visto é pedir demais.

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