Villas-Boas no Tottenham: melhor do que parece

Quando o anúncio da contratação de André Villas-Boas pelo Tottenham foi feito, as mesmas perguntas de sua passagem pelo Chelsea surgiram: “será que é capaz?”, “irá ser apenas mais um jovem treinador?”, “seu sucesso irá ficar apenas no Porto?”. O portugues de apenas 34 anos tinha falhado feio no Chelsea e deixava dúvidas no ar, apesar da Inter de Milão quase o contratar, buscando um “novo Mourinho”, assim como o Chelsea. Hoje, quase 6 meses depois, prova que é o melhor treinador da Premier League, junto com o tradicional Alex Ferguson, e leva o Tottenham a estabilidade e bons resultados, ainda que o jogo em campo não seja empolgante.

Morno: foi assim que Villas Boas começou nos Spurs. Ainda encontrando uma formação, experimentou o 4-2-3-1 com Caulker na zaga, Vertonghen como lateral-zagueiro pela esquerda, Dempsey armando o jogo para a velocidade de Bale e Lennon e a definição de Defoe. Funcionou, mas encontrou dificuldades pelo caminho e logo ficou um esquema estável, já que Dempsey caiu de produção. Nesse esquema, a melhor exibição foi no histórico 3X2 contra o Manchester United, em pleno Old Trafford. O novo vence o conservador e o Tottenham supera o United, fora de casa, após 23 anos. No jogo, mudou para o 4-1-4-1, no melhor jogo do time em 2012:

Spurs 1

 

Após o jogo contra o United, os Spurs caíram de produção e acumularam empates. Villas-Boas insistiu com Sigurdsson e Huddestone para reforçar o meio de campo, mas viu Dempsey cair de produção e o time ficar estático. Empates contra o Wigan de Roberto Martinéz estavam entre as piores exibições do time, mesmo com mais bola. Mesmo assim, Villas-Boas conseguiu manter o time no batalhão de frente, ainda que no pior Tottenham sobre seu comando, no desenho abaixo:

Spurs 2

É válida uma observação: o Tottenham sempre foi estático. Villas-Boas aprendeu muita coisa com Mourinho, mas tem sua marca. Com ele, os esquemas são mais estáticos, a posse de bola é maior, sempre buscando a individualidade da linha de frente. No Porto, o 4-3-3 compacto só teve sucesso pela forte marcação e pelo forte chute de Hulk. No Chelsea, penou com a má vontade do elenco, mas os melhores momentos sempre viam de onde Juan Mata estava. Nos Spurs não é diferente: quem decide é Bale e Lennon e suas arrancadas ou o bom posicionamento de Defoe. O trabalho sujo fica com Sandro e Vertonghen, os melhores da defesa.

E foi desse jeito que Villas-Boas conseguiu uma formação ideal. Nos últimos 12 jogos apenas uma derrota. André foi obrigado a colocar Dempsey no banco e solidificou um 4-4-2 tipicamente britanico, forte na bola aérea, mas que troca passes e contra-ataca muito bem. Na zaga, Vertonghen é absoluto. No meio, Dembele ataca e defende, e Sandro é o maior roubador de bolas do time, protegendo Gallas e liberando Walker ou Naughton para tabelar com os pontas ou acionar Defoe e Adebayor. Time muito ajustando, ainda meio “paradão”como quer André, trocando muitos passes e acionando a individualidade da linha de frente.

Spurs 3

Se não fosse a assombrosa regularidade do United de Sir Alex Ferguson, o Tottenham seria candidato ao título, mas a Champions é quase certeza. Também não é bobagem afirmar que é o time de terceiro melhor futebol da Inglaterra, superando seus caros arquirrivais Chelsea e Arsenal. Os resultados e o desempenho provam que Villas-Boas está no caminho certo e reafirma seu valor como treinador em vários clubes, sob várias dificuldades, se livrando do estigma de “treinador de um time só” que seu rival no posto de “melhor jovem treinador” ainda guarda.

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