O que quer Mourinho?

Loucura e genialidade andam de mãos dadas, separadas apenas por uma linha tênue que muitos confundem. Para José Mourinho, não há limite para nada: a linha que separa o português de ser um verdadeiro gênio do futebol ou um monstro arrogante é tão fina que hoje, mais de 10 anos após a explosão de Mou no Porto, as opiniões sobre a controvertida personalidade ainda se dividem.

A crise que se iniciou no Real Madrid após a conquista de La Liga de 2011/12 só aumenta. Mas será a crise intencional? Um ato de Mourinho? Ou uma revolta dos atletas com seu jeito? Não dá para saber. Mas o que é certo é o cenário péssimo para os merengues: pontos atrás do Barcelona (cada vez mais pragmático e estático com Tito) e o duelo mais difícil na primeira fase do mata-mata da Champions: o Manchester United, ex-clube de Cristiano Ronaldo e sonho (?) de Mourinho.

Tudo começa numa revolta entre o grupo formado por Ozil, Casillas e Sergio Ramos. Titulares absolutos, o trio logo entra em choque com Mourinho após a partida contra o Ajax, pela primeira fase da UCL: Sergio Ramos colocou uma camisa de Ozil por debaixo da sua, mostrando apoio ao colega. A causa? A forma de jogar do time. Segundo os “rebeldes”, Mourinho prejudica os atletas, exige muito de Alonso e só treina contra-ataque. Os dois nunca tiveram bom relacionamento, dado que Ramos reclamou de Mourinho no início de 2012, após ser culpado por um gol do Barcelona.

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E a crise continuou: embora eficiente na UCL, ainda que tenha enfrentado dificuldades com o ótimo Borussia Dortmund, o Real foi patinando na Liga e viu o Barcelona abrir vantagem quase impossível de ser tirada. Mourinho sacou Ramos, perdeu Marcelo por lesão e agora Pepe, provocando uma revolução na defesa merengue. Além disso, surpreendeu ao tirar Casillas, titular por 10 anos, e apostar em Adán. “A equipe quem faz é o treinador e ponto”, disse Mou a uma imprensa irritada e a uma torcida que o vaia. Resultado: perdeu e agravou ainda mais a crise. Rumores de sua saída para o PSG ou United são cada vez mais frequentes, assim como CR7 nos mesmos times.

Pela 18ª rodada de La Liga, o Real enfrentou o Real Sociedad no Santiago Bernabéu. Com Adán de titular, novamente. De novo, comprando briga com todo mundo. E o que se viu foi uma chuva de gols, um protagonismo de CR7 e indícios de que Mourinho apronta mais uma de suas. No costumeiro 4-2-3-1 da equipe, Callejón ocupou a vaga de Di María – voltando de lesão – e Essien como lateral direito. A formação abaixo durou apenas 5 minutos, quando uma expulsão mudou o jogo:

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Adán cometeu infantil pênalti e foi expulso aos 5 minutos iniciais. Antes disso, o Real ameaçou uma pressão inicial que terminou com tento de Benzema, no primeiro minuto. O pupilo de Mou deu lugar a Casillas, que poderia responder a seu chefe, mas não defendeu o penal. 1X1 e nem era 10 minutos de jogo. Mourinho sacrificou Callejón para a entrada do camisa 1, e passou a atuar num 4-4-1 mutante, pelo avanço de Khedira como meia para suprir a ausência de um meia criativo.

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Mourinho recuou seu time, mandou Benzema ajudar Khedira e ficou em seu campo, à espera do contra-ataque perfeito. Logo o motivo de reclamação que poderia ser muito útil numa situação assim. Definida a pressão do Sociedad, o Real conseguiu um gol com Khedira, após escanteio, mas após falha da defesa merengue o jogo estava empatado novamente. Aí entra a estrela, o craque: Cristiano Ronaldo. Em contra-ataques, CR7 fez o que melhor faz – decidiu uma partida. E o Sociedad conseguiu ainda fazer o 4X3, em falha de Casillas. Ele mesmo.

Afinal, o que quer Mourinho? Não há senso em suas atitudes. Mas pode ser que Mourinho tenha desistido de La Liga e aposta suas fichas em CR7 e no duelo contra o poderoso Manchester United. O duelo contra os ingleses pode recolocar o Real Madrid como favorito para a Champions. E Mou sabe que precisa apenas de um jogador para definir: CR7. Talvez seja por isso que o marrento português é titular absoluto e cada vez mais decide partidas. Num time questionável como os dos campinhos acima, marcar e deixar que Ronaldo faça a diferença pode ser o único caminho para bater Robin van Persie e cia. Será?

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