Muito dinheiro, pouco planejamento

Há times no mundo que parecem estar em “eterna crise”: a apaixonada e exigente torcida não se contenta com pouco e enfrenta administrações pouco efetivas, cheias de trapalhadas e contratações badaladas – ou nem tanto – que não dão resultado em campo. No Brasil, impossível não pensar no Palmeiras diante desse cenário, e no exterior, o Chelsea é o time que representa uma administração ruim e cheia de demissões de técnicos – a última ocorreu após o revés por 3X0 para a Juventus, onde Roberto Di Matteo pagou o pato e perdeu o emprego.

Roman Abramovich, um dos homens mais ricos do mundo, comprou o Chelsea em 2003, ainda com o pragmático Claudio Ranieri no comando. Após a aparição de José Mourinho para o mundo, Abramovich venceu a disputa pelo jovem português e o levou ao Chelsea, mas apesar de conquistar títulos ingleses e finalmente fazer do Chelsea um gigante, falhou no título continental, assim como seu sucessor, Avram Grant. Para a temporada 2008/2009, Luis Felipe Scolari chegou com pompa, mudou o esquema tático – passou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 que usou na seleção de Portugal – e conseguiu bons resultados, até uma crise interna com Drogba acabar com os dias de “Big Phil”. Guus Hiddink ficou uma temporada e parecia ir bem, mas deu lugar a Carlo Ancelotti. O ex-Milan conquistou o título inglês, mas uma temporada ruim fez ele dar lugar a André Villas-Boas, aprendiz de Mourinho que engessou o time e ficou pouco tempo.

Di Matteo, o interino, conseguiu o tão sonhado título da Champions League. Com certa desconfiança, Di Matteo teve méritos que vão além da união do estrelado e decadente elenco: mudou taticamente o time, apostando no contra-golpe. No duro duelo com o Barcelona de Guardiola, quase não teve posse de bola, perdeu Terry logo no início do jogo e ainda assim conseguiu arrancar o heroico empate, assim como na final contra o Bayern. Extremamente cauteloso, as vezes beirando à retranca total, Matteo colocou Ramires na direita, seu grande achado e fez as pazes com as estrelas. Ganhou a Champions, no desenho-base abaixo:

Efetivado, Di Matteo ganhou importantes reforços como o brasileiro Oscar, o belga Eden Hazard e a revelação do Wigan Moses, mas esqueceu de um centroavante confiável para o posto de Drogba e de fortalecer a defesa. Azpilicueta veio para ser titular, mas a improvisação de Ivanovic se mostrou mais forte. Com reforços pontuais, em sua maioria jovens, o Chelsea manteve o 4-2-3-1, agora com Ramires como volante-meia pelo centro-direita e com o trio Hazard-Mata-Oscar se movimentando e trocando de posição o tempo todo. Funcionou no início de temporada, como na vitória sobre o Arsenal, no desenho abaixo:

Na Champions League, o atual campeão foi mal: mesmo com time encaixado no inglês, empates com a Juventus em pleno Stanford Bridge , a péssima partida contra o Shaktar e a goleada sofrida para a Juventus decretaram o fim de Di Matteo no comando. Em seu ato final, viu bem o jogo e mudou: Hazard na referência, se movimentando para não deixar sobra nos  3 zagueiros da Velha Senhora, e Azpilicueta na direita, vigiando Azamoah. Na teoria, a estratégia foi boa, mas na prática, um time pouco motivado, que aceitou a marcação, sem movimentação e fluência ofensiva. O Chelsea se complica: está em terceiro lugar na Premier League e praticamente eliminado na fase de grupos do torneio continental.

O que deu errado com o ídolo no final de década de 1990 que virou ídolo como técnico? Roman Abramovich não esperou para ver e demitiu Roberto, com bons números: 42 jogos: 24 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, aproveitamento de 64,28%, superior a muitos técnicos mais bem pagos. O Chelsea entra novamente em crise, a menos de um mês do Mundial de Clubes, e pode ver mais um título escapar pela incoerência de sua diretoria e pelo seu planejamento falho: mesmo com elenco de tantos milhões e especulações de estrelas mundiais no time, nenhum centroavante foi contratado, posição mais carente do time. Roberto Di Matteo pagou o preço pelas trapalhadas de sua diretoria – assim como o ex-Chelsea Scolari no Palmeiras.

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