Novas propostas, futebol engessado.

O pouco conhecido Roberto Martínez levou o minúsculo time do País de Gales, o Swansea, a apresentar um futebol digno de Premier League – na época, estava na League One, quase uma Série C brasileira – e chamou a atenção por quebrar o futebol pragmático, essencialmente aéreo e fiel ao 4-4-2 ortodoxo dos pequenos clubes da terra da Rainha. Com o título da League One, Martínez pregou fidelidade a pequenos clubes, mas sucumbiu a uma proposta de ser técnico e gerente – seu grande sonho – do Wigan. A vaga do Swansea ficou com Brendan Rogers, que trilhou o caminho de sucesso e hoje está no Liverpool.

Do outro lado na 10ª rodada da Premier League estava André Villas-Boas, discípulo de Mourinho que ganhou tudo no Porto, mas sofreu do mesmo mal de Scolari e Ranieri no Chelsea, a antipatia do elenco, e assinou com o rival Tottenham, prometendo renovação a um dos últimos gigantes a ser fiel ao velho futebol inglês de duas linhas de quatro. Até agora, com bons resultados na Premier e levando a UEFA Cup a sério, Villas-Boas vai fazendo bom trabalho, mesmo que o futebol de sua equipe não seja empolgante.

No White Hart Lane, em Londres, o Tottenham veio a campo no 4-2-3-1 usado na temporada: laterais mais presos para liberar Lennon pela direita e Bale pela esquerda, com Dempsey armando pelo centro para Defoe concluir. A dupla de volantes, Sandro e Huddletone, fica presa na defesa, e o time força as jogadas pelos lados, sempre com os rápidos Bale e Lennon. Já no Wigan, Martínez  armou o inovador 3-4-3, com variação para o 5-4-1, que encanta pela proposta, mas esbarra no fraco elenco para ser ainda melhor: Figueroa, Ramis e Caldwell na zaga, com Boyce transitando entre a lateral e o meio, e o chileno Beausejour forçando pela esquerda e por vezes indo ao meio armar; volantes mais presos para o argentino Di Santo combinar velocidade e bom passe, na companhia de Maloney e Koné. Sem a bola, o time da região de Manchester recua Boyce e Beausejour para a linha de defesa e Di Santo e Maloney para o meio, fechando a área com um 5-4-1.

Com a bola rolando, futebol nada animador: o Tottenham perdeu Sandro por lesão, e Sigurdsson foi o volante-meia que fazia a variação para o 4-1-4-1, mas sem sucesso: o time de Londres esbarrou o tempo todo na linha de 5 do Wigan, e ainda sofreu com Walker perdido no cerco a Beausejour e Maloney. O Tottenham é um time pouco compacto e imóvel em campo: a aposta de Villas-Boas é no futebol de passe, não de movimentação. Por isso, o Tottenham muitas vezes é sonolento e pouco criativo, já que sem movimentação seus jogadores são facilmente marcados. É o que aconteceu no jogo, principalmente com a linha de 3 do Wigan pressionando a saída de bola: bola ruim para Dempsey, que não encontrava Bale e Lennon, mesmo com mais posse durante a primeira etapa.

O primeiro tempo morno foi mais morno ainda no segundo tempo: esbarrando na marcação do Wigan, o time ainda apostou na ligação direta. O Wigan soube neutralizar o meio dos spurs, apostou em combinações pelos lados, mas falhou ao deixar Di Santo e Koné preso na marcação. Foi só aos 10 do segundo tempo que Watson aproveitou confusão da defesa spur em escanteio e chegou ao gol. Villas Boas lançou Adebayor no lugar de Defoe, mas o problema do Tottenham é no meio de campo engessado e pouco criativo, e não no centro-avante. Os Spurs passaram a pressionar, na maioria das vezes jogando bolas na área, sem sucesso.

Além da tática e do jogo em si, o Tottenham carece de ambição: é preciso mais para se tornar uma das grandes forças da Inglaterra. O time é bom, mas é preciso um elenco forte e com boas peças em todos os setores. Também é preciso dar tempo ao trabalho de Villas Boas, um técnico de trabalhos longos. Ao Wigan, o resultado é muito bom para um time de proposta inovadora, mas que esbarra nas limitações financeiras para ser mais. Para os dois, é preciso mudar o futebol engessado.

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