O losango da recuperação

O que Palmeiras, Bahia e Flamengo têm em comum? Os 3 times vivem crises dentro e fora de campo e estão seriamente ameaçados de rebaixamento. Com primeiro turno do Brasileirão pífio, tanto Palmeiras, Flamengo e Bahia trocaram de treinador e hoje vivem bons momentos: o Palmeiras já tem 3 vitórias seguidas, o Flamengo se afastou da zona do rebaixamento e o Bahia faz campanha avassaladora na segunda metade do campeonato. Os 3 times adotam o losango no meio de campo: o 4-3-1-2 que marca mais, faz mais gols e está recuperando os times.

No jogo contra a Ponte Preta, o Palmeiras de Gilson Kleina ganhou marcação definida e velocidade com Maikon Leite mais à direita, mas em muitos momentos pressionando a saída de bola pela esquerda ou pelo centro. No segundo tento, Maikon roubou bola no campo de ataque e serviu Barcos – jogada típica do time que marca mais agressivamente. O time de Kleina procura mais o gol e contra-ataca mais: foram 9 gols nos três confrontos sob o comando do paranaense. Além disso, os atletas admitem que o clima é melhor e agora “as coisas funcionam”.

Após passagem frustrada pelo Atlético-PR, Jorginho chegou ao Bahia com seu discurso tradicional de sinceridade absoluta com os atletas e blindagem ao elenco. Resgatou o time, acumulou vitórias importantes – como o placar mínimo contra o São Paulo – e hoje é a grande força da parte de baixo da tabela. Taticamente, Jorginho implantou marcação agressiva e avançou Gabriel, o destaque do Campeão Baiano de Falcão, como atacante de movimentação. Além disso, acabou com as improvisações nas laterais e o sistema em linha de Falcão e Caio Júnior, fazendo o time atacar por todo o campo. Um outro ganho foi no físico: no campo do adversário, o time corre menos, já que os atletas estão mais próximos uns dos outros. Com a bola perto da área adversária, o gol fica mais próximo – Hélder foi um dos que aprovaram a filosofia de jogo de Jorginho, que acumula 5 vitórias em 9 jogos pelo tricolor baiano.

Dorival Júnior aceitou o desafio e chegou ao Flamengo em frangalhos testando diversas peças e esquemas táticos até chegar ao losango no meio com algumas surpresas: o encaixe de Cléber Santana, originalmente um volante-meia, como enganche servindo Love. Liédson ganhou a titularidade e não prejudica o time com seus problemas físicos. A improvisação de Léo Moura como volante pela direita – ou pela esquerda, para ajudar o fraco Ramon – foi a carta na manga do treinador, que via a defesa exposta com as constantes subidas de Moura. Além disso, recuperou Ibson, corrigiu a marcação com Amaral protegendo a zaga e definiu uma zaga titular – Frauches e González, dando sequência ao time.

Os três losangos da recuperação têm uma marca em comum: marcação adiantada, no campo do adversário. Segundo Gilson Kleina, esse é o estilo que o treinador irá adotar no alviverde, mas em pequenos passos, já que o perigo de lesões assola o elenco palestrino. No Bahia, Jorginho fez o que pôde com elenco limitado e implantou sua já vencedora filosofia de futebol ofensivo e com marcação pressão, ao melhor estilo “Barcelusa”. O resultado vem na recuperação tricolor, a melhor campanha do returno. O Flamengo é o mais instável dos 3 e ainda vive dias de caos com o caso Adriano, mas a grande partida contra o Atlético-MG de Ronaldinho marcou o encaixe de Cléber Santana como o meia de criação que faltava ao rubro-negro. O time carioca ainda cria pouco, mas tem na dupla de ataque decisiva – Vágner Love e Liédson – a força para se salvar do descenso. Uma outra característica do losango é que ele bloqueia as jogadas pelas laterais do adversário – foi assim que o Flamengo venceu o Galo e o Palmeiras reduziu os gols levados de bolas aéreas da linha de fundo.

A situação é mais complicada para o Palmeiras, mas os 3 times que usam esse esquema podem se salvar na temporada. Resta saber se os treinadores irão manter o 4-3-1-2, apesar dos inevitáveis desfalques por conta do calendário.

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5 thoughts on “O losango da recuperação

  1. eu de novo…gosto muito desse esquema, mas aina acho que nos faltam bons carrilleros como os argentinos, muito tecnicos mas com forca de marcacao e chegada forte no ataque. mas em termos de ocupacao de espaco e me agrada mto. outro assunto…tem visto a juve? taticamente muito interessante…sistema claro mas ao mesmo tempo flexibel. vale um post! abraco

  2. Olá Gustavo! Fique a vontade para comentar e opinar. Voce pegou a questão: falta os “carrilleros” do futebol argentino, que fazem o movimento de “trilhos”: vão e voltam em suas respectivas áreas de atuação. Com eles, o time ganha tanto em marcação quanto no ataque. Dá para adaptar meias de criação nessa posição, como Diego Souza já atuou. Quanto a Juve, estou com o jogo contra o Shaktar para analisar, mas percebi que ela atua num 3-5-2 que se parece com um 5-3-2, com o Pirlo de primeiro volante, o “regista” que faz o jogo fluir. Será um dos próximos posts! Abraço!

    • tenta ver o juve x roma. aula tatica. variacao do 5 3 2 sem bola com 3 5 2 com posse e pirlo ditando o ritmo. isso contra um 433 romano. abraco

  3. Tentarei ver sim, mas vou dar prioridade para o jogo contra o Shaktar. Pelo que percebi a Juve não está convencendo nesse início de temporada. Obrigado pela dica, abraço.

  4. Pingback: Mudança de Kleina foi fundamental para vitória tricolor « Painel Tático

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