Primeira vitória ainda não mostra evolução

Ao acabar a Premier League de 2011-12, o torcedor do Liverpool mais uma vez ficou frustrado. Com um time sem destaques e apostando no 4-4-2 ortodoxo do ídolo Kenny Dalglish, o Liverpool acabou enfraquecido com a lesão de seus melhores jogadores – Lucas Leiva e Gerrard. Sem os esperados gols da cara contratação de Andy Carroll, apenas Suarez fez boa temporada, o que não salvou o time de vexames como a derrota de 3 a 0 para o futuro campeão Manchester City. Muito pouco para os 18 títulos ingleses e 5 UEFA Champions Leagues que o time da cidade dos Beatles possui.

Saiu Kenny Dalglish e assumiu a sensação Brendan Rogers, que revolucionou o Swansea City ao permanecer 2 anos e levar o time galês da segunda divisão para surpreendente décima primeira colocação da Premier League. A aposta no ex-auxiliar do Chelsea se deveu ao time de estilo parecido com o Barcelona – o Barça galês – que mantinha a posse de bola no ataque e exercia marcação pressão, como o time espanhol. Mesmo com um time avassalador, as críticas ao Swansea se davam ao fato do time “relaxar” em certos momentos, trocando muitos passes e sendo pouco incisivo – um defeito de times que apostam na troca obsessiva de passes.

Rogers chegou, renovou o elenco e logo imprimiu seu estilo aos Reds: time que marca a saída de bola adversária, troca passes e aposta no ataque em bloco para iniciar jogadas. Porém, o time peca na criação, mesmo com Gerrard e Sahin, que veio do Real Madrid, em campo: lentidão na transição defesa-ataque e pouca efetividade dos ponteiros, geralmente Borini, que trabalhou com Rogers no Chelsea e Swansea,  e Sterling. O 4-3-3 do Liverpool na partida contra o Norwich apostou na saída de bola menos qualificada de Allen para acionar Gerrard ou Sahin e os ponteiros Suso e Sterling ou em tabelas com Suarez. Os laterais apoiaram alternadamente, com maior apoio de Johnson.

Os péssimos resultados no Ingles nesse início de temporada (5 jogos, nenhuma vitória e antepenúltima colocação até o duelo contra o Canário) passa pela lesão de Lucas, que rouba bolas e inicia jogadas com passe certo,  e pela zaga lenta, que falha nas bolas aéreas. No duelo contra o Norwich, Rogers tentou corrigir a falta de criação do seu time prendendo Gerrard para qualificar a saída de bola e juntando Sahin ao ataque. Deu certo: 2 gols de Suarez criados pelos ponteiros no primeiro tempo que garantiram a primeira vitória do Liverpool na temporada, sacramentada com o tento de Sahin no início do segundo tempo e mais de um Suarez, com passe de Sahin, no contra ataque. Morison ainda diminuiu em rebote de Reina. Mais dois gols saíram, um para cada lado.

A primeira vitória do Liverpool no campeonato não mostra evolução técnica. O time pecou na lenta saída de bola e na criação de jogadas, e a defesa ainda se perde na marcação e leva sufoco na subida ao ataque do adversário, tanto que o Norwich, postado em 2 linhas de 4 bem inglesas, levou perigo o tempo todo ao time vermelho. Para melhorar, o Liverpool pode superar a lesão de Leiva se compactar mais o time quando perde a bola, diminuindo espaços para o adversário. Com a bola, o 4-3-3 é válido, mas apenas se os pontas se juntarem a Suarez no ataque e não ficarem apenas na linha de fundo – poucas vezes Suso e Sterling fizeram a diagonal e chutaram ao gol. Fica difícil imaginar o Liverpool ganhando algum título nesse ano, mas o trabalho a longo prazo pode render frutos, se aliado a boas contratações que venham como titulares.

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